por uma vida melhor I
Eu nunca gostei de andar. Na verdade, para ser mais justa, eu nunca gostei de caminhadas que se misturavam a obrigações e rotinas. E por isso tinha calafrios de andar de casa até a parada de ônibus ou fazer qualquer coisa a pé. O resultado catastrófico disso era a minha dependência absurda de carro e a culpa que eu sentia depois por perceber todos os problemas envolvidos nisso e não mudar nunca.
Daí que a melhor coisa que me aconteceu nessa mudança pro Rio foi dar tchau definitivo ao carro. No começo, a animação toda era por conta da bicicleta, que eu sempre gostei, rotineira ou não. Com o trabalho e as semanas passando, fui vendo que andar ia ser mesmo o jeito mais fácil e prático e o hábito foi sendo incorporado sem grandes dramas. Muito disso se devia ao fator novidade (o que explica também a minha inexplicável adoração por longas caminhas sem rumo em viagens ou cidades desconhecidas), mas agora eu consigo fazer sorrindo os 15 minutos que levam ao trabalho, a subida de 20 minutos do metrô até a Lagoa.
A verdade é que o Rio é simplesmente adorável. E, a cada caminho errado (e, acreditem, são muitos!), não consigo parar de pensar que ““saber orientar-se numa cidade não significa muito. No entanto, perder-se numa cidade, como alguém se perde numa floresta, requer instrução”.
