Das tempestades e dias de sol

izabel fontes May 14th, 2008

Entre a segunda e a terça-feira, acordei às quatro ou cinco da manhã com uma chuva que entrava pelos cinco centímetros que deixavam a janela semi-aberta. Além de ter sido acordada pela chuva, eu estava era tremendo de frio. Um tempo depois, acordei de novo. Dessa vez, era um barulho insuportável de trovão, achei que o mundo tivesse pra acabar, coisa que se confirmou quando faltou luz logo em seguida.

Voltar a dormir foi complicado e quando levantei para ir trabalhar, umas duas horas depois, a chuva tinha parado. Saí de casa com o céu ainda cinza, mas, no caminho, o sol foi saindo meio tímido. Ontem de tarde, conversando com um amigo vizinho, ele me perguntou se eu também tinha acordado com os fogos de artifício. Na hora, fiquei completamente sem reação porque eu podia jurar que era mesmo o mundo acabando, coisa nem de longe parecida com o barulho de uma comemoração fora de hora.

Enquanto conversava sobre a madrugada, fazia um sol escaldante. O que eu fiquei pensando é que, na verdade, é preciso um pouco mais para o mundo desabar e muito pouco para eu achar que ele está desabando. E, mesmo que eu possa jurar que tudo tá desmoronando mesmo, sempre faz sol depois. Metáfora mais brega não há. Mas o que se faz quando tudo o que se quer dizer é um grande e verdadeiro clichê?

Esclarecimento

izabel fontes May 13th, 2008

Refletindo sobre as buscas que acabam dando nesse blog, percebi que “reino ser humano” ganha disparado em número de entradas daquelas que não têm nada a ver. Para não decepcionar meus possíveis leitores, vou explicar: até onde lembro, na biologia existem cinco reinos (o dos animais, das plantas, do protistas, dos fungos e das moneras). Os seres humanos, meus queridos, estão no reino dos animais, certo? Com todas as implicações, animais.

Bueiro profundo

izabel fontes May 5th, 2008

Aí que hoje, depois de três semanas sem aparecer na academia, eu decido voltar. Lá vai Izabel toda disposta fazer esteira. Até aí tudo bem. Mas eu tive a brilhante idéia de ligar a televisão e, zapeando pelos canais, eu decido parar no People and Arts. Alguém já viu Perder para Ganhar? É um dos milhares de reality shows que passam na People and Arts, desde que o canal decidiu que só ia exibir isso mesmo. Vocês têm que entender que na onda dos reality shows vale tudo, de tatuagens a montagem de motos. Mas esse é realmente um caso a se pensar.

Explico: no programa, duas famílias de obesos se enfrentam e sofrem das torturas mais cruéis tentando emagrecer. Quando eu falo tortura, I mean it. Numa das provas de hoje, os participantes tinham que passar por um corredor gigantesco de guloseimas e resistir. Na manhã seguinte, depois de sonhar com as tortas de chocolate e as pizzas rejeitadas, tinham que malhar até desmaiar. E competiam entre si. O ponto alto do programa era a pesagem, quando eles viam quantas gramas tinham perdido na semana.

Agora vejam vocês: eu lá toda disposta na academia, me achando o máximo por fazer trinta minutos de esteira e fico assistindo aqueles gordinhos desesperados se matarem em caminhadas, malhações e pratos de salada. É o fundo do bueiro, minha gente. Me senti a última das criaturas dos regimes frustrados. Mas ando resistindo. Cheguei em casa e comi somente uma mísera xícara de salada de frutas. Quem sabe, nessa décima quinta tentativa de regime do ano, eu consiga, né.

Muro de lamentações

izabel fontes May 4th, 2008

 Por que diabos é tão difícil pra mim manter um grau aceitável de continuidade na vida? Não adianta, mais cedo ou mais tarde, eu sempre tenho que dar uma pausa. Nem que corra nos outros dias para compensar o tempo perdido. Amanhã eu tenho uma prova cujo assunto é enorme e eu mal estudei, terça eu tenho dois trabalhos para entregar, quarta tenho o roteiro do projeto final de uma disciplina e na quinta eu nem sei, que nessa cadeira eu estou tão atrasada que nem ouso pensar no que tem que ser feito.

É nessa hora que eu penso: o feriado fez a minha semana acabar na quarta, não deu tempo? Teria dado. Se tu não tivesse passado os últimos quatro dias escondida embaixo do meu cobertor, com ar-condiocinado no máximo (desculpa, pai, prometo ajudar a pagar a conta de energia), só saindo para jogar videogame e dar uma surtada básica.  A verdade é que eu estava com a maior tpm que Recife viu nos últimos anos e tudo que eu conseguia fazer era comer sem parar, ouvir músicas tristes, chorar, me irritar com qualquer pessoa que passasse na minha frente e ver seriados.

Para completar o quadro de coisas que não deveriam existir na minha vida agora, tenho mil exames para fazer e não dá mais para adiar. Onde vou arranjar tempo para tirar sangue, fazer xixi num potinho e deixar passarem uma meleca gelada no peito?

Ah! E no final da semana passada, comecei um estágio novo. Meu chefe, ao que parece, resolveu trabalhar no final de semana e agora a minha caixa de e-mail está atolada de pequenas notas: ligar para assessoria de sei lá onde, confirmar entrega de sei lá o quê, fazer releases de sei lá que evento e mandar pras mídias, traduzir os resumos das conferências, preparar agenda da semana, ad infinitum. Nem sei direito por onde começar.

E sabe do que mais? Já me contaram: depois piora.

Pointless

izabel fontes May 1st, 2008

Às vezes eu tenho a sensação muito nítida de que vou enlouquecer.

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Do último post para cá, já choveu bastante. Mas ontem foi o dia mais quente do ano em Recife, eu tenho certeza. Era um sol insuportável, de doer os olhos e deixar qualquer pessoa de mau humor. Os quinze minutos que andei do estágio até a parada de ônibus foram simplesmente torturantes. Às três e meia da tarde, quando voltava da aula, absolutamente nada tinha mudado e o calor/sol permaneciam.

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Eu acho engraçado como algumas coisas não mudam. Observar de longe deixa tudo ainda mais risível. E eu até agradeceria, por estar distante, se, no fundo, não achasse tudo isso patético a ponto de me irritar. Machucar um pouco também.

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Eu estou numa preguiça social inédita até mesmo para mim. Estou capaz de mudar o caminho só para não ter que trocar frases amistosas com semi-conhecidos e eu estou falando dos semi-conhecidos agradáveis, aqueles que a gente encontra ocasionalmente e até se anima com o encontro. E aí que ir pro Cine-PE virou uma tortura, é gente conhecida demais, é gente demais em todos os sentidos. Mas o filme de ontem foi bom, muito bom e melhorou consideravelmente o meu humor. Assistam Amigos de Risco vocês também.

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Não sei se são os hormônios, mas estou cada diz mais pointless.

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