Flores e sorrisos
Raphaella acordou bonita.
Desprezou os espelhos, esqueceu qualquer dúvida, respirou fundo e fechou bem os
olhos. Aí tudo se encheu de felicidade, foi como se o mundo começasse a
se embelezar aos poucos, reflexo da beleza recém descoberta (e temos
que concordar que as novidades carregam graça própria).
Sentou na cama, sorriu e começou a lembrar. Nas imagens que passavam pela sua
cabeça, como num filme, ela continuava linda: o rosto iluminado, os
cachos caindo nos ombros, os olhos brilhando. Como será que nunca tinha
percebido? Quanto tempo havia perdido sendo feia e despediçando tanta
graça?
Foi então que começou a subir, flutuar pelo quarto. Acordou sobressaltada com uma pancada na cabeça.
Tinha batido no teto e quase sentiu medo. Mas quando viu a janela
aberta, resolveu se arriscar, o medo ficou lá embaixo, distante. E foi
voando, voando, voando.
De Raphaella eu nunca mais soube, mas dizem por aí que nasceram margaridas em cada
janela da cidade e nasceram também sorrisos nos rostos mais
desavisados. Tanta beleza pra sorrisos e flores?