March 15th, 2006
Globalização.
Posted by Izabel in diário
Jantar
fora sempre foi dos prazeres mais torturantes para mim, o melhor
exemplo da angústia sartriana diante das escolhas descartadas. Eu adoro
comer e nunca sei ao certo o que quero, tantas possibilidades me deixam
desesperada, chego até a sentir saudade do feijão com arroz ou sopa de
todo dia.
fora sempre foi dos prazeres mais torturantes para mim, o melhor
exemplo da angústia sartriana diante das escolhas descartadas. Eu adoro
comer e nunca sei ao certo o que quero, tantas possibilidades me deixam
desesperada, chego até a sentir saudade do feijão com arroz ou sopa de
todo dia.
Hoje foi especialmente difícil.
Fui jantar com a minha mãe num barzinho da moda no centro da cidade.
Surpresa grande tive ao ver que o cardápio passeava do yakissoba, popular macarrão chinês, até o babangush,
obscuro sanduíche árabe, passando, como não poderia deixar de ser, pelo
bom e velho arrumadinho pernambucano. A minha mãe, mulher forte e
decididade que é, logo escolheu e o garçon começou a olhar para mim. E
a olhar, a olhar… Depois de alguns minutos de silêncio tenso, disse
que ia escolher depois. Juro que quase decorei aquele cardápio tentando
decidir o que ia comer. Acabei me decidindo pela opção mais comum e
não-original: uma empada de frango, faz favor, e com muito ketchup.
Fui jantar com a minha mãe num barzinho da moda no centro da cidade.
Surpresa grande tive ao ver que o cardápio passeava do yakissoba, popular macarrão chinês, até o babangush,
obscuro sanduíche árabe, passando, como não poderia deixar de ser, pelo
bom e velho arrumadinho pernambucano. A minha mãe, mulher forte e
decididade que é, logo escolheu e o garçon começou a olhar para mim. E
a olhar, a olhar… Depois de alguns minutos de silêncio tenso, disse
que ia escolher depois. Juro que quase decorei aquele cardápio tentando
decidir o que ia comer. Acabei me decidindo pela opção mais comum e
não-original: uma empada de frango, faz favor, e com muito ketchup.
Quando a comida chegou comecei a pensar como essa coisa de viver numa aldeia global dificulta as coisas. A minha mãe comeu um falafael, sanduíche indiano de pão sírio com broto de feijão, e de sobremesa comeu um fluden, doce judaíco. Eu, criança sem criatividade que sou, acabei devorando um waffle muitíssimo american way of life
e uma empadinha muito sem graça, tudo isso ao som do brasileiríssimo
Caetano Veloso, cantando em inglês, claro. Se isso não é globalização,
o que mais pode ser?
e uma empadinha muito sem graça, tudo isso ao som do brasileiríssimo
Caetano Veloso, cantando em inglês, claro. Se isso não é globalização,
o que mais pode ser?
Agora, por favor, tirem-me uma dúvida: de onde vêm as empadinhas?