izabel fontes November 24th, 2006
Joguei meu copo de vinho tinto na tua camisa branca, rodei com os calcanhares
no salto fino prata e saà com o calor de todos os olhares vermelhos nas
minhas costas. Quase fiquei violeta, mas não virei. Peguei um táxi
amarelo, percorri as ruas cinzas e cheguei ao prédio marrom. Paguei ao
motorista um dinheiro amassado, ausente de cores, por ser resto teu
comigo.
izabel fontes November 17th, 2006
Na manhã de natal, Alice correu ansiosa pela casa até a árvore colorida
que ocupava metade da sala de jantar. Com olhos rápidos, procurou o
embrulho que tinha seu nome, no meio de tantas caixas coloridas, era
tarefa difÃcil achar qualquer coisa. Quando achou, rasgou o papel de
presente com fome e com mais fome ainda foi jogando pelo chão os restos
da embalagem.Depois de tanta euforia, não conseguiu esconder
sua decepção ao encontrar uma pequena estrela transparente, pendurada
por fio de nylon muito grande. Olhou de um lado, olhou de outro. Olhou
de cima, olhou de baixo. No final das contas, não conseguiu se decidir
sobre o que faria com aquilo.
- Cuidado, Alice. Isso é de vidro e pode quebrar.
Ainda por cima essa, para que serve um brinquedo que pode quebrar? Vidro?
Pegou bem na pontinha do fio e suspendeu a estrela, de repente, quatro
arcos-Ãris rodopiaram pela sala, ao perceber que era da sua estrela que
eles vinham, Alice pensou assustada: “não é vidro, é cor”.