Com tanto sentimento deve ter algum que sirva…
Se sentimento da gente gastasse com o uso, feito sapato ou sofá, ia ter que mandar um monte de coisa que se passa aqui dentro pra lixeira ou pro conserto. Ultimamente tenho sentido tanto e tão forte que falta nome e lugar pros comichões sem explicações que sinto bem fundo no peito. É uma tal de tristeza aguda aqui, melancolia fina acolá, uma euforia que passou despercebida, ansiedade perdida ali na esquina, uma alegria sem tamanho colorindo tudo…
As coisas boas tenho é vontade de abraçar e não largar nunca mais, esconder dos lugares comuns e tentar não deixar gastar. Ou, talvez, quem sabe?, ir soltando aos pouco as beiradas e deixar espaço para as pessoas queridas segurarem. Vai ver que com tanto puxa-puxa elas até crescem, dando espaço para mais gente ainda segurar e se transformando em coisas novinhas em folha, quentinhas de surpresas.
Já as coisas ruins, tenho é vontade de mandar restaurar. Ou reformar mesmo. Quem sabe com um pouco de verniz e tinta fresca, elas até ganhem ares de sonho, perdendo aquele frio de susto? Susto que se repete sempre, por mais parecidas que sejam as situações, ninguém nunca está previnido.
Ao pensar nisso, resolvi todo o mistério, dentro da minha cabeça, da não gastura dos sentimentos.
É que por mais vida que se viva e mais atropelo que aconteça, a gente nunca está preparado. Cada curva ou esquina, se refaz sem pedir permissão e sem querer saber se é de comum acordo. Só resta ir se acostumando com os vazios que as coisas que vão deixam. Os vazios vão tomando conta da gente, da cidade, apagando os cheiros, transformando tudo em memória. A massa da memória é diferente da que são feitos os sentimentos, por mais que se tente igualar. Amor, dor, compaixão, inveja ou qualquer outra coisa é coisa de momento ou momentos.
Por esses dias, andei achando em fundos de gaveta restos de sentimentos. Restos em objetos esquecidos, ursos de pelúcia, fotografias, laços de fita… pequenos pedaçoes de momentos que só servem para devolver coisas já superadas. Mas aí, fico é surpresa, sentimento não se gasta, o que acontece é de se transformar em saudade.
Sebtimentos e Memórias não podem ser pagados. Por mais que a Kate Winslet queira quando tá de cabelo laranja.
Lindo texto Bel. Pronto, a gente se elogia aqui e ‘discute’ lá.
=**
ô Abu!
Deve ser porque aqui somos bonecos gorduxos e, no teu blog, somos jornalistas pretenciosos.
Sei não, Aluísio, tem cientista louco pra tudo: http://preview.tinyurl.com/ytmuac
Os cientistas devem ter uma explicação neuroquímica pra tudo o que você escreveu aqui, bel, mas sem a metade da graça do seu texto. Explicação pronta pra ser esquecida depois da prova, sem deixar saudade.
Hum! Finalmente recebi um visita suaaa hahaha. Tempo… esse é um inimigo imortal meu =/
Sentimentos? ultimamento prefiro esquecer que os tenho. ^^ Depois eu vou cplocá-los de volta de onde não deveriam ter saído ou se escondido, não na mesma gaveta que a sua, mas na minha (:
oiee bell
ta lindaa a nova casa =PP
a vida sempre arranja um modo de nos pegar de surpresa, incrivel mesmo.
discordo.
na verdade, pros bons, a gente primeiro arruma um lugar na memória pros momentos que a gente acha que vai sentir saudade, e depois, se a gente sente saudade mesmo, chama de sentimento. pros ruins, a gente procura na memória a falta ou a saudade dos bons, e transforma em momentos, palavras ou qualquer outra coisa.
texto lindo =:~~
=;*
Ai, que lindo!
Num dá para pensar que se pode ser feliz o tempo todo, quem sabe a felicidade não carrega “as primas más” dentro dela?
A gente é uma fabricazinha de restauração de sentimento. Tudo pode ser reciclado. A gente escolhe o que nos serve para guardar no coração e o que deve mandar para o setor de reciclagem. Alguns sentimentos quando a gente guarda no coração nos faz leve, outros nos faz pesada. A gente tá sempre escolhendo o que carrega, porque mesmo que a gente tenha nascido para ser feliz, a dor, as mágaoas, as tristezas vão estar todo dia batendo na nossa porta! A coisa é: o que eu quero/preciso que fique e o que eu quero/preciso que passe?
Beijos te amooooooooo!