Como não?
izabel fontes March 24th, 2007
Quem misturou a massa de que Alice foi feita acabou exagerando na alegria. De propósito ou sem querer, o padeiro de fazer gente esqueceu de pôr um pouco de dor, uma pitada de angústia, duas colheres de ansiedae e três xÃcaras cheias de inquietação. O erro na receita passou despercibo e a menina foi posta na terra assim, desse jeitinho. Depois não dava para desfazer.
Por não saber fazer outra coisa, Alice estava mesmo era sempre mostrando os dentes, franzindo a testa, criando dobrinhas do lado dos olhos e abrindo dois pequenos buracos nas bochechas, que eram melhores do que chocolate e ficavam no mesmo nÃvel dos sonhos. Todo mundo percebia e comentava muito, não tinha como não perceber, não tinha como não comentar: aquela menina era mesmo sorridente.
No dia em que levou uma queda bem no meio do ônibus lotado, levantou rindo da história que teria para contar. Depois que Mário a beijou, assim, sem avisar e sem saber que era a primeira vez que ela experimentaria aquela cosquinha na barriga, Alice riu da sua surpresa. Nas horas que sentia o chão ir embora embaixo dos pés e queria mesmo era chorar, a menina-mulher tinha os acessos de riso mais fortes e quase rolava no chão, achando realmente engraçada aquela dor no peito sem motivo, que acabava indo embora sem hesitar. E a vida ia vai muito bem, obrigada, podia ser diferente?
linda
Alice é pessoa rara.
Muito bom.
Bel, se tem gente que leva queda no meio de ônibus cheio, tem também gente que paquerava com o motorista só para conseguir uma paradinha fora do ponto. Nessas horas, sempre termino com o velho “amanhã, ninguém sabe”.
beijos em tu!
:****
Eita, agora que vi o link da Paradoxo ali do lado. Sabe que eu escrevo nela?:)
(quer dizer, costumava escrever… arrumando fôlego para voltar!)
Isso foi para ti:
- Juras antigas -
Acorda! O sábado nasceu, pinta tua cara
Que a gente triste já entrou na dança, pega o sorriso
Que a colombina levou com aquele disco de Noel
Te recupera das perdas e dos danos que a Rita causou
Por trás da máscara, te admiro calado, num canto
Escondido neste baile infernal. Não quero que vejas
O choro bandido deste pobre palhaço que espera
Sofrendo, o encontro divino, sem nada fazer
Por mil carnavais te procurei, e nem que me custe
Mais mil carnavais, te levarei a meu lado
Não como adorno triste deste cauto pierrot
Pois conheces minha máscara, mesmo sem lembrar
Não perguntes quem sou, nem me fale de você
Deixe-me ver sua face lavada pelo pranto d’outros carnavais
Dois de abril de dois mil e sete.