Meu peito é sal de fruta, fervendo num copo d’água
E o resto do meu corpo também.
Sou criatura se dissolvendo, se perdendo, fervendo. Aprendi a lidar com isso aos poucos. Assim como fui aprendendo a lidar com todo o resto. Fiz as pazes com meus defeitos e hoje os levo para passear e descobrir o mundo, sempre fazendo muito barulho. Mas trato também sempre de levar o que tenho de bom com a outra mão, num cortejo desigual, onde cada lado luta para gritar mais alto. Nunca fui de ter rumo, vou dobrando as esquinas sem bússula. Muitas vezes, sem norte mesmo. Surpresa a cada passo.
E quer saber? Ainda bem…
Astronauta libertado
Minha vida me ultrapassa
Em qualquer rota que eu faça
Dei um grito no escuro
Sou parceiro do futuro
Na reluzente galáxia
Eu quase posso palpar , a minha vida que grita
Emprenha e se reproduz, na velocidade da luz
A cor do céu me compõe, o mar azul me dissolve
A equação me propõe, computador me resolve
(…)
Nos braços de 2000 anos, eu nasci sem ter idade
Sou casado, sou solteiro, sou baiano, estrangeiro
Meu sangue é de gasolina, correndo não tenho mágoa
Meu peito é de sal de fruta, fervendo num copo d’água
Mas é assim mesmo, dona moça, e essa é a magia.