Archive for May, 2007

Quase junho

izabel fontes May 29th, 2007

Metade do ano já foi e eu nem percebi. Talvez seja tempo de reavaliar, repensar, replanejar. A verdade é que mal o ano chega ao fim, já começo a planejar mudanças, fazer pedidos, achar esperanças perdidas. Mas, invariavelmente, quanto mais os dias correm, menos eles passam para mim e me descubro em um novo ano sem saber direito o que andei fazendo com o que passou.

Dois mil e sete começou com promessas de fase nova, de projeto saído do forno, de superar dores antigas. Ouvi os fogos olhando pro rio Capibaribe, vestida de vermelho, salpicada de espumante, cercada de gente querida. Não pulei as sete ondas, mas comi lentilha, joguei arroz para trás e guardei os sete caroços de uva na carteira.

E aí o tempo passou, eu passei. De tanta coisa que aconteceu, sinto como se tivessem passado mais dias por mim do que mostra o calendário. De tão rápido que foi, sinto como se seis meses tivessem passado nas vinte e quatro horas de ontem.  Preciso desacelar a vida um pouco, freiar o mundo. Talvez seja apenas quesão de derreter meus relógios, talvez fazer uma boa oração.

Menina, amanhã de manhã…

izabel fontes May 25th, 2007

quando a gente acordar
quero te dizer que a felicidade vai
desabar sobre os homens, vai
desabar sobre os homens, vai
desabar sobre os homens.
(…)
menina, a felicidade
é cheia de graça
é cheia de lata
é cheia de praça
é cheia de traça.

(Vai, Tom Zé)

Bom final de semana para vocês, com festa para alguns, com menos bobagens para outros. Boas companhias e risadas para todos.

Estatísticas.

izabel fontes May 24th, 2007

O ócio é o grande pai da criação. Então, o que aconteceu foi que a rede saiu do ar hoje lá no estágio, conseqüentemente, o que eu tinha que fazer também foi dar uma volta lá pelo mundo da desconexão. Desamparada, fiquei à toa pela internet e, depois de esgotar todas as outras opções, resolvi fuçar as estatísticas desse blog.

Depois de relacionar bem as pesquisas mais freqüentes, dividi vocês, leitores, em duas categorias principais: esotéricos e tarados. As pessoas ou entram aqui procurando saber uma reza forte e o mistério das almas, ou entra procurando meninas ensaboadas e adolescentes de 16 a 19 anos chupando. Infelizmente, eu não escrevo nada que ajude ninguém a resolver seus problemas com o cosmos, muito menos problemas sexuais. Tenho certeza que minhas letras passam pelo longe dos contos eróticos. Deve ser bem frustrante para vocês, me desculpem.

Os outros leitores potenciais são meus amigos, sobre eles me abstenho de falar.

Finalmente, me resta as pesquisas menos freqüentes mas igualmente estranhas. Alguém poderia me explicar que tipo de pessoa chega no google e digita “cheiro de ovo”, ou “rótulo de molho de tomate”, “como emagrecer sem esforço”, ou ainda “um olhar sobre o reino das sombras”?

 

Limpeza e mudanças

izabel fontes May 20th, 2007

As mudanças estão em todo canto, aqui no Bandolo e na vida lá fora também. Ninguém me chamou pra reformar a casa e por isso eu não tenho parede nova, nem abri uma janela numa parede velha. Mas resolvi rearrumar os móveis, trocar tudo de lugar, mexer em velharias. Dentro e fora, vale destacar. É a velha e temida faxina.

Segundo o feng shui, bagunça significa energia estagnada, parada. Segundo nosso cotiano de todo dia e dia nenhum, entulhos significam perda de espaço e de tempo, atraso de vida.

O segredo de uma boa faxina é pensar sério sobre o que pode ser feito, é enxergar realmente os pedaços da gente ao redor e ver onde eles precisam ser colocados, o que tem como destino a lata de lixo e o que merece ganhar um novo espaço. É saber quando é hora de passar o aspirador de pó ou quando a vez é mesmo de levantar poeira e esperar tudo baixar de novo. E aí a gente segue, arrumando e rearrumando, trocando as coisas de lugar e resignificando.

Mexendo naquele sofá esburacado no canto da sala, rearranjando um sentimento aqui, descobrindo uma caixa velha de fotografias, reavivando as memórias esquecidas, a gente segue. O que vale mesmo a pena é tirar todas as mágoas daquela última gaveta, reciclar decepções, expor sonhos num porta-retrato, se refazer, pendurar na parede da sala nossos amores.

Eu comecei aos tropeços: atualizei minha lista de blogs,  coloquei uma outra coisa aí nessa coluna à minha direita, tive vontade de deletar alguns textos e fui logo desistindo. Agora tenho uma pilha de livros no meu quarto, uma bolsa nova, um vestido me esperando na costureira, uma festa para ir na sexta, uma mesa cheia de papéis, um quadro cheio de fotos novas. Mas, sobretudo, tomei resoluções. Esperem.

Valsa partida.

izabel fontes May 19th, 2007

Pelas escolhas erradas, pelo descompasso, pelo desatino, pelo desespero, pelo desencontro. Contradizendo as vontades, contradizendo as certezas, te encontro. Tropeçando, quebrando a ponta da sapatilha, trocando os pés, pisando na ponta do vestido. No meio das lágrimas partidas, dos amores desperdiçados, das navalhas sem fio, do proibido, do inaceitável.

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