reino da insônia

May 15th, 2007

Reza forte.

Posted by Izabel in diário    

Nossa senhora do capitalismo e todos os orixás do consumo, por gentileza, mandem pra longe essa urucubaca. Eu não mereço não. Sou boa moça, não gasto tanto dinheiro assim, tento trabalhar, não exploro meus pais. Eu sei, eu sei. Compro muitas bobagens, mas veja só, as duas bolsas que comprei nos últimos meses eram realmente necessárias! Aquela sandália preta, divina!, com um lacinho de cetim e um salto enorne, também era, lógico, eu não poderia viver sem ela e, vamos combinar, nem foi tão cara. É, também sei que não sou exatamente praticante do consumo consciente, que não reciclo lixo, como carne vermelha e sano todas as depressões com uma tarde no shopping. Certo, como McDonalds e sou viciada em coca-cola. Mas, em compensação, eu economizo água, ajudo velhinhas a atravessar a rua, não dou esmolas, faço trabalho social. Não sou ser humano dos piores e estou bem longe de ser rica. Tem muita gente pior que eu pra ser castigada.

Então por que, óh céus, passo dois meses sem receber a bolsa do estágio, depois meu cartão é roubado e quando consegui um novo, o troço foi clonado? Eu não mereço, ah, não mereço não.

May 13th, 2007

tristeza

Posted by Izabel in caderno    

Nos tempos chuvosos de maio, o céu vai caindo aos pouquinhos. Mas como tal fenômeno só acontece em dias de temporal, é o material cinzento e frio que acaba despencando. Quase ninguém percebe porque os pedacinhos de céu se disfarçam muito bem no meio da água.

A pior parte não é os furos que ficam lá por cima, que aquela imensidão toda é muito boa nisso de se renovar. O problema é que os pedaços inventam de grudar na gente e vai fazendo a gente ficar também um pouco cinzento e um pouco frio. Pouca gente sabe, mas é isso que é tristeza.

Passeando livre pelas bandas de cá, a tristeza vai procurando seu destino aos poucos, meio às cegas, tentando ficar onde pode. Um amor sem espelho aqui, um desencanto no fundo do olho, um infarte, um sarampo mal cuidado, ausência de dinheiro, um filme triste ou motivo nenhum. A danada brinca com os silêncios, revira as almas, troca os significados, desprende as cores e mistura as idéias. E não existe vacina, nem remédio, nem política preventiva. Fuga certa no mundo não há. A tal da tristeza é destino certo de toda gente, não em todas as chuvas de maio, só em algumas, que em outras o nosso azul é tão forte que os pedaços cinzentos do céu não grudam, escorrem e derretem pelas ruas.

A sorte que existe é que nem só de dias chuvosos é feito maio. Burlando a ordem natural das coisas, o sol sempre acaba aparecendo e consegue brilhar um pouco antes de ser descoberto. E esse pouco é suficiente, sempre é, por mais que algumas pessoas não percebam. Quando não percebem, coitadas, é que ficaram cinzentas demais e para fazer a restauração da aquarela de cores antigas dá um trabalhão. Nada que não possa ser feito, é lógico, mas é preciso mais do que pincéis e alguma técnica.

May 7th, 2007

Compartilhando…

Posted by Izabel in diário    

Ontem ganhei de presente um meme do Saliel. Para mim foi difícil retribuir, com a ausência de tema específico e as múltiplas possibilidades se jogando na minha frente.

Resolvi, me agarrar firme a uma das frases do post do bandolo mestre: “o meme sempre tem algo do autor”. Junto, então, a presença de imagem nos memes anteriores à sentença-definição jogada, meio sem querer, pelo quase profético amigo. E aí vai o meu resultado:

“Lá fora, esperavam-me outros sonhos…”
(Borges, J.L. in: O livro dos sonhos)

 

Para seguir direitinho a cartilha e não quebrar a corrente, tenho que passar a responsabilidade para mais gente. A minha vontade mesmo é de ver a corda ir por quem se dispuser a puxá-la. Mas bem, peço então para Luíza, para Naty, para Selph, para Laura e para Hugo.

Porque uma imagem falando também por palavras é imbatível. Quem mais se habilita?

(more…)

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