Reza forte.
Nossa senhora do capitalismo e todos os orixás do consumo, por gentileza, mandem pra longe essa urucubaca. Eu não mereço não. Sou boa moça, não gasto tanto dinheiro assim, tento trabalhar, não exploro meus pais. Eu sei, eu sei. Compro muitas bobagens, mas veja só, as duas bolsas que comprei nos últimos meses eram realmente necessárias! Aquela sandália preta, divina!, com um lacinho de cetim e um salto enorne, também era, lógico, eu não poderia viver sem ela e, vamos combinar, nem foi tão cara. É, também sei que não sou exatamente praticante do consumo consciente, que não reciclo lixo, como carne vermelha e sano todas as depressões com uma tarde no shopping. Certo, como McDonalds e sou viciada em coca-cola. Mas, em compensação, eu economizo água, ajudo velhinhas a atravessar a rua, não dou esmolas, faço trabalho social. Não sou ser humano dos piores e estou bem longe de ser rica. Tem muita gente pior que eu pra ser castigada.
Então por que, óh céus, passo dois meses sem receber a bolsa do estágio, depois meu cartão é roubado e quando consegui um novo, o troço foi clonado? Eu não mereço, ah, não mereço não.
