Generosidade

izabel fontes June 21st, 2007

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O Projeto Generosidade, da Editora Globo, veiculou durante um ano histórias pessoais de pessoas que mudam o mundo como ele deve ser mudado, aos pouquinhos. Foram escolhidas dez iniciativas e a vencedora vai ganhar R$ 100 mil para ser expandida e ganhar continuidade.

O meu voto vai para o Projeto Chapada, onde uma moça do interior da Bahia, Cybele Carvalho, implantou um método de alfabetização crítica junto aos professores locais. A história deu resultado e as taxas de evasão escolar e disparidade idade/série caíram drasticamente.

Tem muita gente boa concorrendo, faça parte da decisão.

Como uma aluna tachada de caso perdido se transformou numa professora capaz de quadruplicar a alfabetização em escolas do interior da Bahia

E la não vai aprender a ler.” 

 A sentença, afirma Cybele Amado, foi dada a sua mãe pela professora da 3a série. “Minhasiniciativa_03.jpg lições voltavam riscadas de tinta vermelha”, diz ela. “Eu tinha uma dislexia leve, trocava o V pelo F, mas me condenaram a repetir o ano. Caí na sala de minha irmã mais nova. Foi um trauma.” A história poderia ter acabado com um ponto final precoce. Mas Cybele mudou o enredo. Não só se tornou professora como passou a reescrever o destino de milhares de crianças no interior da Bahia: criou um método capaz de quadruplicar os índices de alfabetização e reduzir em mais de quatro vezes os de evasão.Primeiro, Cybele libertou-se da carapuça de aluna com dificuldades de aprendizagem. Na 8a série, já balançava os pés atrás da mesa de professora. Tinha sido convidada a ensinar matemática a colegas em situação de risco. Depois fez faculdade de Educação e pós-graduação em Psicopedagogia. Chegou a montar um colégio particular na capital baiana, em parceria com quatro amigos, chamado Escola Alternativa. Mas ela achou pouco. Acabara de voltar de férias da Chapada Diamantina quando tomou a decisão de mudar-se para lá, para mudar a realidade de lá.Aos 23 anos, Cybele abandonou Salvador para morar sozinha no Vale do Capão, um povoado de mil habitantes a 480 quilômetros da capital. Cercada pelos paredões de pedra da Chapada, sua casa não tinha sequer energia elétrica. Todo fim de tarde a jovem professora acendia uma fogueira para dissipar o medo do escuro. Quando a luz do fogo não era suficiente para espantar tantas sombras, ela chamava uma estudante para lhe fazer companhia. Cybele corrigia as lições dos alunos de 5a série quando levou um susto: encontrou nos textos os mesmos traços de dislexia de sua infância. “Fui procurar a raiz do problema”, afirma. “Foi aí que descobri como a dislexia leve pode ser fruto do ensino.” Cybele desconfiou que sua dislexia havia sido gerada pela deficiência da alfabetização que recebeu. Já tinha certeza de que repetir o ano fora o pior remédio.

Montou num quarto da casa um pronto-socorro para crianças pequenas com dificuldades de alfabetização. Depois de avaliá-las, Cybele concluiu que apenas uma tinha sinais de distúrbio. “As outras eram vítimas de um sistema educacional em que é normal gritar com a criança, e a língua é ensinada como se fosse um código.” O método dos professores antigos do Capão, segundo ela, se restringia à cartilha do “B mais A é igual a BA”. As crianças sabiam ler as sílabas e pronunciar as palavras, mas nem sempre entendiam o significado.

O choque de reencontrar seus fantasmas nos textos dos alunos foi tão grande, diz Cybele, que voltou a trocar as letras: encontrou na própria caligrafia um “veroz” onde quis escrever “feroz”. Ainda hoje tropeça no sotaque ao contar o episódio.

Na escola com chão de terra batida, paredes sujas e nenhuma identificação na porta, ela buscou um jeito de fazer criança pequena gostar de ler e de escrever. Não inventou metodologia nova nem teoria revolucionária. Montou uma rede de apoio ao professor que estimula a reflexão sobre o ensino e o uso de brincadeiras, histórias e atividades fora da sala. Implantou também um sistema de acompanhamento que investiga as atividades que dão certo e as que precisam ser reformuladas.

A maioria dos adultos do Capão - oficialmente o nome do povoado é Caeté-Açu, mas ninguém o chama assim - não escreve muito mais que o nome. De repente, os filhos começaram a fazer poesia e pedir prosa de Clarice Lispector. A notícia se espalhou. Em 2000, o Projeto Chapada começou a tecer uma rede que hoje envolve 1.200 escolas. São mais de 5 mil professores acompanhados por coordenadores pedagógicos. Todos eles sob a orientação exigente da professora Cybele Amado. Nos seis anos de projeto, o índice de evasão escolar caiu de 23% para 5% - metade da média nacional para a zona rural.

Em 2005, o projeto alcançou mais 16 municípios. Em apenas um ano, o índice de alunos alfabetizados na 1a série pulou de 11% para 40%. É quatro vezes maior do que era - e ainda é pouco. A realidade do interior da Bahia é a mesma de 80% dos professores da zona rural do país: só estudaram até o ensino médio. A maioria pega o giz para ensinar as letras sem ter passado por uma faculdade. O que Cybele mudou? “Oxente, a diferença é que passamos a pensar a educação como profissionais, não como professorinhas”, diz ela.

Conhecida pelas escolas em que circula como um doce general, Cybele é delicada no falar, mas direta na mensagem. “Educação não é missão para quem gosta de criancinhas.” Segundo sua cartilha, gostar é verbo escasso. Tem de ser “louca por criança”. O resultado são alunos curiosos, como Laís, de 7 anos. A menina não desgruda dos gibis da Turma da Mônica na hora do intervalo. Toda semana leva um livro diferente para casa. O preferido é o de Chapeuzinho Vermelho. Fez até a mãe, Diosina Pereira, prometer que vai à cidade comprar um só para ela.

Diosina acompanha o que acontece na escola pela Associação de Pais, Educadores e Agricultores. A comunidade se organizou no dia em que Cybele fez uma greve entre os alunos para exigir a contratação de professores nativos do povoado. Antes, os professores faltavam toda segunda e sexta-feira com a desculpa de que tinham de viajar os 30 quilômetros que separam o povoado da sede, a cidade de Palmeiras.

“Antes de Cybele, aula de Português era só tomar ditado e fazer cópia. A escola não tinha nem giz!”, diz Rosângela Mendes. “Ela trouxe música, fez a gente escrever cartas poéticas.” Rosângela estava na 6a série quando a forasteira chegou. Fez muita companhia a Cybele ao lado do fogo nas noites escuras. Hoje é diretora da escola.

Além de Rosângela, outros oito alunos viraram professores. Todos dão aula na escola do Capão. Cybele se emociona quando volta à escola do Capão, de onde saiu há menos de um ano para expandir o projeto. Logo é cercada:

- Cybele Amado! - diz uma criança.

- Você não sabe quanto eu tirei em Português… - diz uma segunda criança.

- Vai voltar quando? - diz outra.

A professora responde: “Lembra da história de ter de escolher entre ajudar 200 ou ajudar mil?”. Horas depois, em seu escritório, ela é mais precisa: “São 115 mil alunos beneficiados pela rede”. E já vai dizendo: “Coloque aí o mais importante: aqui não se faz nada pela metade. Todas essas crianças saem capazes de se deliciar com o que lêem”.

Apanhador de meninos

Cybele Amado não teve filhos, mas é mãe do Vale do Capão. Além de espalhar o gosto pela leitura entre as crianças, ela não perde os primeiros minutos de suas vidas. É que a professora-mãe se casou com o médico-parteiro da comunidade: doutor Áureo Augusto. Ele atende a população local de graça há 23 anos e já perdeu a conta de quantos meninos acolheu na companhia da enfermeira improvisada.

O casal recebe o pagamento de partos e consultas na forma de frutas, verduras e ovos que o povo vai deixando na porta. Eles, que são vegetarianos, agradecem. “No começo, a gente chegava e já tropeçava numa jaca. Hoje, deixamos uma cesta do lado de fora. É só chegar e recolher a feira”, diz Áureo. Quando andam pelas estradas, Cybele vai apontando para o marido os rostos que ele pôs no mundo. “Esse povo tem muito filho! Mas desejam cada um que nasce. Vi uma mãe perder o seu 16o e chorar como se fosse o único”, diz o parteiro.

Áureo deixou Salvador para fundar uma comunidade alternativa na Chapada. Acabou acolhendo bebês com luz suave e música ambiente. Em sua casa e no consultório só se pode entrar descalço. Além de médico, ele é artista plástico, escritor e marceneiro. Se a política desembarcasse em Capão, o casal brinca que faria uma bela plataforma eleitoral: “Educação e saúde!”. u

Bom de bola - “e de poesia”

Saulo dos Santos, o menino do lance acrobático da foto acima, tem 13 anos e três repetências. Ele era um garoto de olhos agitados e respostas rápidas que havia perdido o interesse pelos estudos. Ou melhor: não dá para perder o que nunca se teve. Enquanto seus colegas assistiam às aulas, ele escapava para a quadra de terra nos fundos da escola. “Eu ia mal porque não queria estudar mesmo, preferia jogar futebol”, diz Saulo.

A professora Cybele olhou bem para ele. Teve longas conversas com o garoto, seus pais e professores para entender a aversão pelas letras. Percebeu que para chamá-lo para dentro da escola era necessário investir no que ele tanto gostava no lado de fora. Saulo foi escalado para o time de futebol do povoado e o treino condicionado à presença na aula. Esse ano ele não perdeu uma. Também propôs e ganhou o primeiro campeonato de futebol da escola e se revelou um belo artilheiro.

O menino faz parte de uma família de 16 filhos, 14 vivos, típica do interior da Bahia. Sua mãe, Maria das Graças Santos, afirma: “A gente vive da roça, da graça de Deus e há quatro meses de uma bolsa do governo”. Ela mesma parou de estudar na 4a série porque não tinha professora de 5a. Agora, está abismada com o filho: “Esse menino não se interessava por nada, mas a escola não largou ele. Hoje, ele vai estudar até debaixo de chuva”, diz. Maria das Graças fala firme sobre os filhos que perdeu e sobre o cotidiano sem energia elétrica. A voz só fraqueja quando se lembra da despedida de Cybele. “Ela fez uma ceia cheia de sentimento. Deu uma semente para cada um. A nossa eu plantei aí fora”, diz. “Deu um girassol.”

Saulo interrompe a entrevista para saber se o São Paulo tem time júnior. É um baiano são-paulino. Parecia que não precisava nem perguntar, sua aula preferida só podia ser Educação Física. Ele esclarece: “Na escola? Não, o que eu gosto aqui é de escrever. Sou bom de poesia!”.

A MELHOR JOGADASaulo dos Santos é um exemplo do que acontece quando a escola não desiste do aluno, por mais que ele tente desistir da escolaSemeando o alfabetoA rede de apoio ao professor tem 27 municípios, 1.200 escolas, 5.400 professores e 115 mil alunosA NOVA PAISAGEMA cena se tornou comum no povoado do Capão, em Palmeiras. As crianças gostam tanto de ler que nem na hora de voltar para casa conseguem desgrudar os olhos de livros e gibisO projeto começou em 2000. Em 2005, foi ampliado para mais 16 municípiosDesde 2000

ALFABETIZAÇÃO NA 1a SÉRIE:2000 33%2005 68%EVASÃO2000 23%2005 5%Desde 2005ALFABETIZAÇÃO NA 1a SÉRIE2005 11%2006 40%EVASÃO2005 12%2006 7%

POR ANA ARANHA, DE PALMEIRAS, BAHIA

6 Responses to “Generosidade”

  1. Vanessaon 21 Jun 2007 at 7:46 pm

    Pois deixa eu ir lá ver. É bom pra gente acreditar que o mundo é diferente. As notícias ruins é que deveriams er exceção.

  2. Antônio Albino de Abreu Mendeson 09 Jan 2008 at 2:00 pm

    Prezada Isabel:

    Adorei seu blog e tomei a liberdade de escrever um fato, muito parecido com o seu. Gostaria que comentasse se possível tá.

    Como um dos temas que tem sido abordado na novela Duas Caras é dislexia, gostaria de relatar um fato ocorrido comigo e que, na verdade, tem me tirado o sono. Autorizo a publicação responsabilizando-me juridicamente por tudo que aqui consta gravado.

    Antecipadamente agradeço a atenção.
    1 - Tenho 3 filhos e todos estudam(ram) no Colégio Magnum - Unidade Cidade Nova (Belo Horizonte – Minas Gerais ). Escola renomada e de alto custo. A minha filha (18), após término do ensino médio, ingressou em medicina na UNIRIO e o meu filho (17), imediatamente abaixo nunca teve nenhum problema com notas, inclusive tem seu boletim com médias muito acima do necessário. É atleta da escola (basquete). Digo isto para demonstrar a educação e desprendimento igualitário para com todos eles.
    2 - Minha filha (Mirian), com 9 anos, passou a apresentar problemas com troca de letrinhas, (g com j - ss com ç - l com u e outras) desde a primeira série do ensino fundamental. Desta forma, tínhamos conhecimento do fato, mas acreditávamos que tal situação era algum déficit de ensino ou, em instância maior, de aprendizado.
    3 - Fomos informados que ela necessitava de ajuda com uma professora particular no primeiro semestre de 2007 (já no terceiro ano do ensino fundamental), a qual providenciamos de imediato. Como não tivemos, com os outros filhos, nenhum problema com estudos, acreditávamos que Mirian também iria superar as dificuldades impostas, sejam elas por excesso de atividades escolares ou por outro qualquer motivo;
    4 - Em agosto ou setembro participamos de uma reunião com a orientadora pedagógica da escola onde fomos informados da possível dislexia e fomos direcionados a uma fonoaudióloga, indicada pela própria escola, para fazer um laudo, laudo esse que fizemos e que sinalizou uma possível ou provável dislexia com percepção de déficit de atenção. Particularmente, quando da apresentação do resultado, saí completamente desesperado porque a postura da profissional em questão (indicada pela escola) não me agradou;
    5 - Daí para frente passamos a pesquisar o problema de forma brutal, inclusive levando nossa filha a outros profissionais, neuropediatra e outros para um diagnostico preciso (Depois deste calvário passo a acreditar que tal diagnóstico é extremamente difícil de ser dado).
    6 - No último bimestre ela apresentava problemas com algumas matérias escolares. A mãe passou a estudar junto, depois de sabido o problema da deficiência, aproximadamente, 4 a 5 horas por dia. Ela conseguiu notas espetaculares nas últimas avaliações (comprovada via boletim da escola), mas não obteve pontos suficientes na cadeira de português obrigando-a a fazer uma prova final. Com essa colocação fizemos um esforço concentrado em português até porque ela conseguiu atingir as notas necessárias para aprovação nas outras matérias.
    7 - Quando recebemos a notícia da reprovação entramos em contato com a escola e procuramos explicações que nos levassem a crer que realmente, uma repetência, fosse um recurso pedagógico largamente utilizado em casos como esse e não uma medida puramente punitiva.
    8 – Analisando a legislação pertinente, observei que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - (Lei No.9394/96), em seus artigos 12 e 13, é clara:
    Art. 12º. Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de:
    […]
    V -prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento;
    […]
    VII -informar os pais e responsáveis sobre a freqüência e o rendimento dos alunos, bem como sobre a execução de sua proposta pedagógica.
    Art. 13º. Os docentes incumbir-se-ão de:
    […]
    III -zelar pela aprendizagem dos alunos;
    IV -estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento;
    VI -colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade.
    Ao dizer que é responsabilidade da escola e do professor zelar pela aprendizagem dos alunos, assim como estabelecer estratégias de recuperação para alunos de menor rendimento, acrescenta a necessidade disso ser feito ao longo do ano, paralelamente e com qualidade sendo mais importante do que quantidade, ou seja, pontos obtidos ao final do ano:
    Art. 24º. A educação básica, nos níveis fundamental e médio, será organizada de acordo com as seguintes regras comuns:
    […]
    V -a verificação do rendimento escolar observará os seguintes critérios:
    a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais;
    e) obrigatoriedade de estudos de recuperação, de preferência paralelos ao período letivo, para os casos de baixo rendimento escolar, a serem disciplinados pelas instituições
    de ensino em seus regimentos;
    Não obstante ao descaso das escolas públicas, com a metodologia da “Escola Plural”, ainda somos assolados pelas escolas privadas que, com preços absurdos, não se interessam em alunos que não coloquem o nome das entidades no mais alto patamar (vide a quantidade de faixas que são expostas nas escolas, nos meses de janeiro, após a aprovação dos seus alunos nas diversas faculdades do país).
    Traduzindo, estou fazendo o possível para auxiliar a minha filha Miriam (9 anos no terceiro ano fundamental), ESPECIALMENTE em relação à sua auto-estima, que - se diminuir em função dos resultados ou de comparações das quais ela tome conhecimento - pode causar um estrago maior do que o da dificuldade propriamente dita.
    Finalizando, não se trata, portanto de querer ‘passar’ a Míriam (e ela tem sentido isto de forma bem clara), mas de oferecer-lhe a chance de progredir e superar as suas dificuldades, não necessariamente pessoais, mas resultantes de infinitas variáveis.
    Anexei neste o e-mail que enviei à escola.
    Relativamente aos laudos, todos estão de posse da escola (originais) e, como pode observar, estou requerendo a pasta contendo tais documentos. Desta forma e procurando não ser repetitivo, como cidadão, peço interveniência ou orientação no que aqui foi gravado podendo, de sua parte, usar o conteúdo na totalidade ou de forma parcial. Assumo juridicamente
    Qualquer coisa peço entrar em contato comigo.
    ________________________________
    De: Antonio Albino de Abreu Mendes
    Para: magnum
    Assunto: Mírian Velten Mendes - Email 01/2007.
    Prioridade: Alta
    Prezado Senhor Diretor do Colégio Magnum (Instituição particular de ensino em Belo Horizonte - MG):
    Para que possamos tomar as providências necessárias relativas à reprovação da aluna supracitada, fazemos as seguintes considerações:
    A Lei nº 10.172 de 9 de janeiro de 2001 - Plano Nacional de Educação - Capítulo 8 - Da Educação Especial - grava o seguinte texto:
    8.2 - Diretrizes
    “A educação especial se destina a pessoas com necessidades especiais no campo da aprendizagem, originadas quer de deficiência física, sensorial, mental ou múltipla, quer de características como de altas habilidades, superdotação ou talentos”.
    Não obstante a isto, a reprovação, em lugar de corrigir os erros, repete-se tudo novamente: a mesma escola, o mesmo aluno, o mesmo professor, os mesmos métodos, o mesmo conteúdo… É por isso que a realidade da escola não é de repetentes, mas de multirrepetentes.
    Absurdo é que, no caso de Mirian, uma aluna do 3º ano do ensino fundamental, o que ocorreu foi que não foi levada em consideração a identificação da origem do fracasso que, conforme laudos de posse dessa Escola tende-se a ser um quadro de deficiência auditiva e dislexia. Isto posto, no momento de identificar a razão do não aprendizado, apenas um elemento foi destacado: a aluna. Só ela foi considerada culpada, porque só ela foi diretamente punida com a reprovação. Como se tudo, absolutamente tudo, dependesse apenas dela, de seu esforço, de sua inteligência, de sua vontade. Então questiono: Para que serve a escola?
    Essa pergunta, aliás, vem bem a propósito da forma equivocada e anti-científica como se concebe o ensino tradicional ainda dominante entre nós. Apesar de a Didática ter reiteradamente demonstrado a completa ineficiência do prêmio e do castigo como motivações para o aprendizado significativo, ainda se lança mão generalizadamente da reprovação como recurso pedagógico.
    Considerando que Mirian foi reprovada na somente matéria de Português por uma diferença de “seis” pontos e, ainda, dentro do meu ponto de vista essa escola não observou nem levou em consideração os laudos diagnosticados, solicitamos que nos sejam entregues (originais ou cópias) todos os documentos referentes à aluna citada (laudos, diagnósticos ou outros que julgarem necessários) dentro do prazo mais curto possível.
    Para tanto pedimos agendar dia e hora para que possamos recolher o material solicitado a fim de tomarmos os encaminhados que nos são permitidos.
    Coloco-me ao seu inteiro dispor para quaisquer esclarecimentos adicionais.
    Antônio Albino de Abreu Mendes

  3. Antonio Barretoon 21 May 2008 at 7:35 am

    Olá professora Cybele !

    Estou precisando do telefone de Aureo, pois uma colega de trabalho que encontra-se enferma precisa fazer uma consulta com ele, com brevidade.

    Por gentileza, gostaria de saber a data em que ele estará em Salvador atendendo na Clínica.
    Um abraço,
    Antonio Barreto

  4. Deniseon 01 Jul 2008 at 8:33 am

    Passei o mesmo problema com a minha filha tb mais nova,no mesmo colegio q Jose Albino citou.Meus dois primeiros filhos tb estiveram la antes.Só q Alice ,hoje com 25 anos ainda carrega as consequências do q passou.Uma repetência tem q ser muito administrada entre escola e pais.É o que penso até hoje.Tb sou pedagoga.Um profissional da educacao pode deixar marcas sérias em uma mente.

  5. Deniseon 01 Jul 2008 at 8:36 am

    Desculpe, Antonio Albino. Colegio Magnum. Ainda fico abalado sempre q lembro de toda a situação.

  6. jacquelineon 03 Aug 2008 at 2:29 pm

    Olà , estou passando pela mesma situaçao e no mesmo colegio, com meu filho de 11 anos na 5 serie.A escola è uma escola de “massas “ palavras ditas pelo seu diretor geral, pra mim e meu marido numa reuniao recente.Acho que essa escola està precisando ser acionada pela promotoria da infancia e adolescencia ,colocando a dislexia uma inclusao de direito da criança .Estou mudando meu filho de escola .Deixo aqui minha solidariade e repudio à uma escola classista e com uma farsa chamada inclusao.Jacqueline

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