izabel fontes June 17th, 2007
Pouca gente sabe, mas as borboletas são pura inconformação por não serem pássaros. Vivem a mal-dizer as obrigações intermináveis da vida de trabalho e organização dos insetos e acabam se distraindo tanto, coitadas, que esquecem os prazeres da sua obrigação diária. Ficam, então, sem perceber o cheiro das flores na primavera ou a cor que elas ganham no verão.
Mas fazem diferente aos domingos. Nesse dia, que se divide entre o começo e o fim da semana no calendário, as borboletas de repente se lembram que têm asas, voam distraÃdas, se surpreendendo com as próprias cores. Ficam vaidosas e se empenham em fazer os meninos e meninas perceberem que podem até não ser pássaros, mas têm lá seu charme. Fazem isso pousando nos dedos que apontam pro céu e depois voando baixo, ao alcance imaginário das mãos e se embriagando com as bolhas de sabão, que pensam ser pra elas.
izabel fontes June 16th, 2007
Instabilidade é mudar de humor cinco vezes apenas no caminho que vai de casa ao estágio. E isso é só o começo.

(clique pra ver direito)
izabel fontes June 15th, 2007
Numa noite de festa, pintou os olhos de preto e se vestiu com esperança.Â
Acontece que, ao contrário do rÃmel, que na embalagem garante 24h de duração, a esperança é pouco resistente e vai se desgastando, aos poucos, sem a gente saber pra onde vai e nem que meio de transporte usa. O que Marina não sabia é que a esperança é mesmo dada a pregar peças e vai embora assim sem avisar só para poder voltar depois, também sem avisar. Mas, por não saber disso, chorou.
As lágrimas lavaram o rÃmel e uma listra preta correu pelas bochechas até o canto da boca, onde entraram sem pedir licença e foram sendo engolidas aos poucos, em silêncio. Artur olhou, de longe, e sentiu que tanta beleza tivesse se estragado com um pouco de água salgada e tinta preta. Nem imaginava, entretanto, que o rÃmel só estava ali por acaso, o rosto de Marina estava manchado era de tristeza.
izabel fontes June 13th, 2007
Então, quando você me beijar,
vai sentir o gosto da minha escrita,
pois a fim de nunca esquecê-las,
eu trago todas as minhas palavras
na ponta da lÃngua.
(rita apoena, sobre os poetas)
izabel fontes June 11th, 2007
Eu não tenho sido uma boa pessoa. Não vou à missa e não acredito que deveria ir, destilo veneno, xingo, falo palavrão, nem sempre sou gentil, sou vingativa, irônica, ciumenta e possessiva. Mas estou tranqüila.
Me disseram outro dia que, a qualquer momento, você pode se confessar, se arrepender e se livrar de todos os seus erros mundanos. E aÃ, adivinha só, Deus estará lá, de braços abertos, me esperando e sorrindo. Acontece que estou guardando isso para o final, para os oitenta e dois anos, quando me fartar dos sete pecados e todos os outros que conseguir inventar.
Enquanto isso, vou seguindo torta pela vida. Saboreando os erros, maldades e arrependimentos até não poder mais, tropeçando e morrendo de rir.