Archive for July 31st, 2007

Abuso

izabel fontes July 31st, 2007

1. Roda? Agricultura? Computador? Telefone? Avião? Creme para pentear? Que nada. A melhor invenção do homem foi mesmo o fone de ouvido. Depois do mp3 player, então, foi que a corrida ficou desigual. Comigo é assim: música boa toca e o mundo vai se desligando. Minha surpevisora no estágio deve ficar é feliz, me concentro em dobro.

2. Por falar em estágio, não é que eu resolvi abandonar a sala gelada e sem janelas? Troquei os folders, as clipagens e os textos estilo mecompreagora por uma câmera, um monte de filme pra ver e pautas duvidosas. E quem se importa em ganhar metade do que costumava ganhar? (Eu me importo, mas estou tentando não desanimar com esse pequeno detalhe). Mas isso é assunto somente pro mês que vem.

3. Estou com saudades dos meus alunos, mas acho que eles mereciam mesmo umas férias de mim. Espero que todos tenham muitas histórias pra me contar e, melhor ainda, muitas histórias para escrever.

4. Como somente eles estavam de férias, eu trabalhei dobrado em julho. E a faculdade aperta, enquanto o final do semestre parece cada vez mais longe.

5.  Shuffling às vezes me irrita profundamente. É que o troço sai da música perfeita para uma qualquer fácil demais.

Nunca é demais

izabel fontes July 31st, 2007

“Úrsula se perguntava se não era preferível se deitar logo de uma vez na sepultura e lhe jogarem a terra por cima, e perguntava a Deus, sem medo, se realmente acreditava que as pessoas eram feitas de ferro para suportar tantas penas e mortificações; e perguntando e perguntando ia atiçando a sua própria perturbação e sentia desejos irreprimíveis de se soltar e não ter papas na língua como um forasteiro e de se permitir afinal um instante de rebeldia, o instante tantas vezes desejado e tantas vezes adiado, para cortar a resignação pela raiz e cagar de uma vez pra tudo e tirar do coração os infinitos montes de palavrões que tivera que engolir durante um século inteiro de conformismo.

- Porra! - Gritou.
Amaranta, que começava a colocar a roupa no baú, pensou que ela tinha sido picada por um escorpião.
- Onde está? - Perguntou alarmada.
- O quê?
- O animal! - esclareceu Amaranta
Úrsula pôs o dedo no coração.
- Aqui - disse.”