Archive for July, 2007

Inverno

izabel fontes July 10th, 2007

A profícua Anna Flávia andou falando ontem sobre o frio que faz em Recife por esses dias nem sempre chuvosos de julho. Não é exatamente frio, é só um pouco menos do que os quase quarenta graus costumeiros daqui de perto do equador.

A temperatura por aqui tá na faixa dos dezesseis graus, a gente estranha, coloca um casaquinho e acha tudo legal. Eu, particularmente, adoro frio. Mas, preciso dizer, precisa variar tanto? Vim pensando isso na minha irritação matinal dentro do ônibus, a caminho do estágio.

O fato é que quando acordei hoje de manhã, lá pelas sete horas, tava um frio de tremer queixo e uma chuva desesperadora: céu cinza, pingos grossos e rápidos, barulho de mundo caindo. Eu pensei, resignada, que não havia forma de sair de casa a pé daquele jeito, me enrolei nas cobertas e decidi a esperar dar sete e meia, me arrumar e sair de carro com meu pai, chegando 1h atrasada.

Quinze minutos depois (você leu certo, 15min), eu acordo com calor, olho pro céu e tá um sol absurdo. Dividida entre o mau humor de quem acorda e o bom humor de não precisar me molhar e nem chegar absurdamente atrasada, vou me arrumar. Faz sol o caminho inteiro, mas, quando desço do ônibus, o céu já está fechando de novo. Aposto que quando eu sair daqui vai estar a maior chuva…

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izabel fontes July 8th, 2007

Eu vivo a perder o que escrevo. Largo pela casa, acaba no lixo ou em páginas aleatórias de cadernos esquecidos. Acaba que me perco também, um pouquinho a cada dia. A cada letra desperdiçada, é um pedaço meu que se perde no que poderia ter sido.

A revolta da tecnologia

izabel fontes July 4th, 2007

De repente, a vida na minha casa ficou difícil. Não só a minha vida, a vida em geral, a vida compartilhada.

Primeiro, quebra o meu computador e já um inferno. Menos de duas semanas depois, quebra o segundo computador, o do meu pai. Agora estamos todos dividindo um computador (inclua a minha irmã mais nova no meio). Ficamos todos de mau humor com isso, nos alfinetando durante o jantar e trocando faíscas no corredor. Tudo está cinza chumbo por aqui, acreditem. Cinza chumbo na ausência de cor e no peso.

Para piorar, coloque duas TPMs no meio, a minha e a da minha irmã, lógico, meu pai, ao que parece, ainda tem os hormônios no lugar. Mas é uma gritaria que tá me deixando louca. Luíza tá de férias. O dia inteiro em casa, zanzando de um lado pro outro, ociosa, me daria pena se eu não tivesse que disputar o espaço das 24h possíveis de se usar o computador. É o ócio dela (orkut, msn, blogs, fotolog) versus a minha correria (dez trabalhos, mil e-mails para responder, um vício sério em seriado). Quem ganha? Não sei ainda. Mas está sendo complicado e aparentemente vai ser um conflito longo.

A vida aos quase vinte anos também pode ser dura, apesar de dever ser boa.

O saldo positivo disso tudo é que ganhei uma página publicada na internet inteira falando mal de mim. Divertidíssimo.

Ritmo

izabel fontes July 3rd, 2007

Dos últimos dias, das últimas semanas, o que posso dizer de mim é que falta tempo. No meio de trabalhos da faculdade, prazos apertados no estágio, preparação de aulas… me escrever não é mais prioridade. Por esses tempos, consigo juntar fácil as letras para dizer coisas distantes, falar sobre as estrelas ou fazer textos técnicos ganharem forma, mas não consigo me dizer. Estou existindo para dentro. Engolindo tudo, fazendo a reação de coisas boas e ruins se balancear sozinha, a deus dará, sem catalisador nenhum. Mas não reclamo: a vida vai sendo dançada sem esforço.

Direitos humanos e tomates

izabel fontes July 1st, 2007

Semana passada, a profícua Anna Flávia colocou o meu blog entre os indicados para o prêmio Blog com Tomates. A proposta é indicar gente que lute pelos direitos fundamentais dos seres humanos.

O que eu poderia falar sobre? A verdade é que o conceito de direitos humanos é um dos mais amplos que eu conheço, ao mesmo tempo em que está flutuando solto pelo campo do senso comum. Desde sempre nós somos bombardeado com essa história de direitos e deveres, mas ninguém nunca fala ao certo do que se trata e, certamente, eu não conseguiria fazê-lo, mesmo que tentasse.

Os direitos humanos nasceram da idéia dos direitos naturais, que seriam atribuições divinas a todos os seres humanos. Em 1948, a ONU pubicou a famosa Declaração Universal dos Direitos do Homem, uma tentativa de legalizar coisas que deveriam existir naturalmente. Na minha opinião, os direitos humanos poderiam ser resumidos em mecanismos que garatam a dignidade, que só existe dentro de boas condições de saúde, educação, liberdade, igualdade. Nesse ponto, eu destaco, o direito à saúde, por exemplo, passa longe da construção de hospitais mas se constitui em mecanismos de acesso à saúde universais, indepentes de classe ou qualquer outra coisa.

O que eu enrolei tanto para dizer é que a comunicação deve ser vista como direito humano. A dignidade só existe dentro do total acesso à informação e à liberdade de expressão (que é diferente da liberdade de imprensa, prestem atenção). A liberdade de expressão tira a nossa invisibilidade como pessoas e como cidadãos, nos dá mecanismo para nos sentirmos representados dentro das mídias e, conseqüentemente, na sociedade.

Para mim, é aí que está a importância dos blogs: a possibilidade de representação, de exposição de qualquer idéia ou sentimento que seja. A simples criação de um blog é uma maneira eficiente de lutar pelos direitos humanos e de existir um pouco mais no mundo. Como indicar poucos é excluir muitos, deixo uma indicação geral para voces, que se representam e existem um pouco mais a cada post.

 

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