Conversando sobre histórias nossas e dos outros, enquanto o ônibus balançava, ela virou e me perguntou se eu não escrevia mais ficção. Sabe o que é, Andréa? É que a vida, por esses dias, anda se fazendo urgente e eu ando a olhar mais pro espelho do que pela janela. Acabo rindo mais do que foi, do que do que poderia ter sido.
Ironicamente, na urgência desses tempos onde o tempo se esconde, o eu está numa calmaria, dormindo sossegado nas horas livres ou fazendo cachos com as pontas dos dedos no meio a aula, do estágio ou de uma reunião meio chata. Entre as delícias e as aflições do cotidiano, estou na primeira pessoa do singular, às vezes, plural inacabado, mas sempre presente do indicativo.
E o que é ficção além do falar do eu usando a terceira pessoa? Deixo o subterfúgio dos personagens para os momentos de crise aguda e que eles não cheguem logo, saravá.
4 responses so far ↓
1 Andréa // Aug 3, 2007 at 6:39 pm
“E o que é ficção além do falar do eu usando a terceira pessoa?”
Está mais do que certa, Bel! E xô, crise! ^^
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Mas não se esquece de mandar o link pra teus textos “críticos”!!! =DDD
2 jaque // Aug 7, 2007 at 9:09 am
Muito bom estes tempos de calmaria…mesmo que a ficção seja esquecida, torço para que os dedos cacheando seu cabelo continuem assim por um bom tempo.
É bom, às vezes, viver só para si.
Beijos
3 Crewdylenne // Aug 7, 2007 at 3:33 pm
Aqui… agora o bicho vai pegar no blog das pessoas que não emprestam nada para ninguém. Se você for assim, como nós, cara… você vai amar de paixão! Te convido a ler OS INIMPRESTÁVEIS.
4 laura souto maior // Aug 7, 2007 at 8:31 pm
meu “eu” está tão quietinho, tão calmo, que chego a estranhar…
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