Archive for October, 2007

Sabedoria de seriado

izabel fontes October 31st, 2007

 

Change. We don’t like it. We fear it, but we can’t stop it from coming. We either adapt to change or we get left behind. It hurts to grow, anybody who tells you it doesn’t is lying, but here’s the truth sometimes the more things change the more they stay the same. And sometimes, oh, sometimes change is good. Sometimes change… is… everything.

Notinha

izabel fontes October 27th, 2007

O Rio de Janeiro, mesmo com chuva, continua lindo.

19 de outubro

izabel fontes October 18th, 2007

Isso quer dizer que faltam exatos dezessete dias para o meu aniversário. Ou seja: inferno astral. Além de eu estar chorona, resmungona, dramática e irritada, eu tenho infinitas coisas para fazer semana que vem. Essa semana foi interminável. Era resolver alguma pendência e arranjar prontamente mais cinco.

Para piorar, a evolução das espécies não está dando muito certo comigo e aquele dente problema resolveu nascer.  Eu achei que ele ia se ajustar, achar espaço e viver feliz com os outros amigos da minha arcada dentária e demorei litros para ir no dentista.

Resultado: estou com a boca cheia de pus, sem nem conseguir abrir direito, tomando antibiótico e cheia de dor. Meu ouvido resolveu também implicar e entrou na onda das inflamações. A verdade é que está acontecendo uma verdadeira festa das bactérias no meu corpo. Uma delícia.

Caligrafia

izabel fontes October 16th, 2007

Se Deus escreve realmente por linhas tortas eu não sei. Mas, só para garantir, cansada que estou desses rodeios todos da vida, estou mandando um caderninho de caligrafia lá pra cima. Vai ver que ele aprende a escrever retinho e bonito, nunca se sabe…

 

Você precisa saber de mim

izabel fontes October 5th, 2007

Um dia, cansado de motivos pequenos para brigas grandes, decidi que já estava na hora de procurar alguma coisa que a gente já não tinha mais. Uma coisa qualquer que ficou perdida entre o primeiro olhar na escada do colégio, o primeiro beijo apaixonado na barraquinha de cachorro-quente da esquina da casa dos seus pais e essa ausência total de beijos e olhares de hoje e de todos os dias.

Cheguei em casa animado e te encontrei largada no sofá, na frente da televisão, com uma roupa velha e o cabelo preso para trás, sem muito jeito. Você parece que não notou a minha presença e, contrariado, fiz questão de fazer barulho: balancei o chaveiro inúmeras vezes, fingi que não achava a chave, praguejei na porta, ainda do lado de fora. Em vão. Por esses tempos, você, que sempre foi tão boa em ouvir, desenvolveu ouvidos de mercador.

Desliguei a televisão e comecei a falar, antes que você pudesse me interromper, “Hoje nós vamos atrás do amor perdido.” Você se surpreendeu com a minha seriedade e até me olhou assustada, fez perguntas, eu confirmei tudo. Você, então, me pediu pra esperar, subiu e entrou no banheiro com o objetivo de se fazer bonita, num banho demorado e em roupas guardadas, com cheiro de naftalina.

Quando você finalmente ficou pronta, eu já estava cansado de esperar. Mas forcei um sorriso, que você prontamente percebeu não sincero. Decidido, comuniquei que iríamos ao parque que ficava a duas quadras da escola onde estudamos. Na época, era um parque bonito e sempre íamos lá depois da aula. Sentados na grama, embaixo de uma árvore muito velha, ficávamos simplesmente olhando o tempo passar, sem perceber que ele de fato passava. Distraídos com a altura que as crianças se balançavam, a roupa daquela mulher gorda ou coisa nenhuma, fazíamos planos para uma vida inteira. Parece que a vida inteira chegou. Resolveu não seguir os planos e correr por roteiro próprio.

Depois de rodar os arredores do parque por cerca de vinte minutos, finalmente conseguimos uma vaga para estacionar o carro. Longe da entrada, mas uma vaga. Você reclamou do sol, falou que no nosso tempo aquele não era um parque movimentado e que, com toda certeza, tinha bem menos barulho. Resolvemos sentar na grama, você e eu, em cima de uma toalha, e esperar que alguma coisa acontecesse. O amor perdido, imaginava, não devia demorar a aparecer.

Sem muito assunto, o tempo passou a se arrastar. Nenhuma criança parecia promessa no balanço e nenhuma roupa era interessante o suficiente. Foi aí que avistei um vendedor de churros, com uma banquinha exatamente igual a que sempre costumávamos comprar. Fui lá e pedi dois, com muito açúcar, por favor, e muito recheio. Animado, te entreguei. Você me olhou, se esforçou para dar um sorriso amarelo. Reclamou do óleo, das calorias, falou que antigamente não era assim, mil desculpas mas você não podia comer aquilo, era jogar dois meses de academia no lixo. Enfiei, então, os dois churros na boca, o meu e o seu, e me derreti de elogios.

Sabe o que é, Adélia, o churros não tavam mesmo bons. Provavelmente nunca foram. Mas você sorria enquanto comia, elogiava, se melava com o recheio, ria quando eu me atrapalhava. O parque sempre foi barulhento, sujo, movimentado. As crianças nunca saíram de perto do chão no balanço.

Não é que o nosso tempo tenha passado, o nosso tempo se repartiu: agora é meu tempo, seu tempo. E por isso eu vou. Com barulho, com óleo demais, sair de perto do chão.

 

 

 

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