Saudade
izabel fontes November 26th, 2007
De tanto dizer adeus, até posso dizer que me acostumei com os vazios que vão tomando conta de mim quando todas as ausências se fazem sentir. Os cheiros se apagam e as imagens, gestos e olhares de um tempo que já passou vão se transformando em memória.
Nos dias de faxina e durante as resoluções de final de ano, quando os restos das nossas dores e de nossos dias precisam dar espaço para os novos começos, sempre dou de cara com objetos esquecidos pelo passado que não consegui abandonar. São restos de mim e restos das pessoas que passaram por mim. É uma foto com o cabelo grande, uma carta amarelada, um desenho com as bordas amassadas, um bicho de pelúcia mofado ou um perfume que nunca mais usei.
Certas coisas, é melhor mesmo que só existam envoltas pelas nuvens da memória e o destino para essas relÃquias só pode mesmo ser uma gaveta antiga, uma quina de armário ou uma caixa fechada, nunca uma navalha ou uma lata de lixo. É que o cheiro de naftalina torna tudo um pouco mais suportável.