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Quando eu tapo o rosto com as mãos, não é da luz (ou da vergonha) que me protejo. É da realidade.
Quando eu tapo o rosto com as mãos, não é da luz (ou da vergonha) que me protejo. É da realidade.
Eu me esforço, eu danço ao som de baladas com rimas óbvias. Eu sorrio. Sempre, um dia após o outro, mesmo quando acabo chorando. Mas para mim é claro: nem sempre sei como continuar. Entretanto, não tem como parar e eu sigo em frente, mesmo quando caminho para trás.
No final dos dias, o que sobra é essa bagunça que engole tudo, que mistura fotos antigas com fotos novas, cds arranhados com os recém-comprados, papéis em branco com cartas amareladas, livros para ler com livros que merecem ser guardados na última prateleira da estante. A cama desfeita, as gavetas reviradas e o guarda-roupa cheio de entulho não são resultados da preguiça, são somente frutos dessa incapacidade de continuar. Dessa falta de vontade de colocar o passado onde ele deve estar, de abrir espaço para a novidade e de perceber que, já não era sem tempo!, é hora de uma nova ordem.
Pensando bem, já existiu um dia em que não fui desordenada.
Explico: nunca fui exemplo de organização, mas eu convivia bem com a bagunça do dia a dia, que não é a mesma coisa que essa desordem dessas primeiras semanas do ano. Quando tudo se tornava impraticável, era muito fácil para mim arrumar. Era uma espécie de terapia, até. Guardar coisas, reorganizar, jogar inutilidades fora. Agora é diferente. Eu não sei por onde começar e só de pensar em organizar qualquer coisa, sou invadida por uma vontade imensa de me jogar na cama e esquecer do mundo ao redor.
Ultimamente, tenho visto minha vida oscilar entre câmera lenta e fast forward. É que tanta coisa aconteceu e tantas outras coisas mudaram que eu ainda não estou acostumada e a minha rotina ficou suspensa, seguindo um ritmo estranho e meio alheio à realidade.
Encerrar etapas é sempre difícil, mas alguns desse ciclos parecem impossíveis de fechar, e, à primeira vista, a opção mais fácil acaba sendo deixar tudo congelado, esperando um desfecho cair do céu.
É, acho que o começo de 2008 vai me dar trabalho. Mas vou começar com coisas práticas, como arrumar e redecorar o quarto e arrancar dentes.