izabel fontes March 28th, 2008
- Oi.
- Tudo bem? Ah, tu não vai acreditar: eu tava passando hoje na esquina daquela rua que tem uma árvore no meio, sabe? E tive uma idéia genial, pensei que a gente podia fugir e passar o final de semana na praia. Mas foi aà que lembrei que o dinheiro tá curto e março é mês de chuva mesmo. Quem sabe a gente não pode fugir e ir para lugar nenhum? Será que existe esse tipo de fuga? Uma que você não vai para lugar nenhum? Uma vez eu vi num filme uma menina que fugia toda tarde de casa, mas não ia para nenhum lugar. Somente fugia de casa por um motivo que eles não mostravam no filme. Chato isso, né? De você querer saber coisas que os filmes não mostram. Agora me deu uma vontade danada de tomar sorvete de cupuaçu, a gente podia ir ali naquela sorveteria, no alto da ladeira, que tem uma vista bonita da cidade. Será que tá aberta? Sempre me irritou muito chegar num lugar e tá fechado. Vamos?
- …
- Hein?
- O que é que tu tem? Tá falando que nem louca.
- Não, eu tô é falando para não ficar louca.
izabel fontes March 28th, 2008
Era uma vez uma história. Dentro da história, uma menina, alguns amores e uma distânica grande, feita de ansiedade, de espaços não preenchidos e uns outros espaços diferentes dos primeiros pedindo para serem percorridos. Maior ainda do que a história, a menina e a distância, era a saudade, que só não era maior do que os tais amores, que para amores não tem medida que caiba, mas isso é assunto pra uma outra história, porque essa história é feita de um fôlego só e poucas pausas. Daà que juntando a menina, os amores e a distância dava samba. Mas quando colocava a tal da saudade no meio, tudo meio que desandava e perdia o ritmo. É verdade que para embalar tudo existia o tal do tempo, que passava meio independente e tratava de aumentar tudo - a menina, a saudade, a distância, a história, os amores. Dia mais dia, o tempo passava como bem queria e nada podia ser feito a respeito, tudo caminhava. Até o dia que a confusão, sentindo-se meio excluÃda da história toda, resolveu se juntar. Aà agora era uma história, uma menina, alguns amores,uma distância grande, uma saudade enorme e confusão, que a tal da menina, teimosa que só ela, resolveu pegar pra si para ver se o tempo passava diferente.