Meu nome quase foi Isaura
izabel fontes April 8th, 2008
O meu nome nasceu de um sonho da minha mãe. Ou, melhor ainda: de uma ameaça recebida enquanto dormia por uma mulher recém-saÃda da adolescência, sozinha em um paÃs estranho e que se descobriu grávida. A intenção era me batizar com o nome da minha bisavó, Isaura. Mas a mulher forte, de famÃlia humilde, alertou na forma de miragem que nome é coisa séria e à s vezes até pode servir como destino na vida e o destino da minha bisavó, infelizmente, havia sido sofrer.
Recebi então o nome da minha avó, Izabel, que tinha a força da mãe, mas uma vida menos difÃcil, com as vitórias aplacando dores. Não sei se nome é realmente destino na vida, como acreditava dona Isaura, mas, sabendo a origem do meu, torço para isso estar certo. É verdade que tive ainda mais sorte que a minha avó e assim precisei de menos luta para ter liberdade, chance de estudar e alguma tranqüilidade.
Ainda assim, tento ter tanta força quanto ela. A minha avó fugiu do interior para estudar, aprendeu a ler sozinha com quase doze anos e foi pedir escola para os patrões do irmão mais velho. Ainda que a internet não tenha me permitido o costume de ler enciclopédias, com a minha avó ainda hoje faz à noite, na mesa da cozinha, com ela aprendi a pesquisar sempre mais e tomei gosto pelas letras, primeiro pelos contos de fadas, depois por qualquer história, fantástica ou não.
Quando era pequena, brincava de professora e achava que tinha um destino muito certo. Ensinava minhas bonecas, meus primos, minha irmã, sempre com ar muito sério e posso garantir que todas as minhas bonecas sabiam fazer contas e ler. Algumas coisas mudaram, outras nem tanto. Não fiz pedagogia, nem letras, mas já ensinei e ainda quero compartilhar conhecimentos em sala de aula ou fora dela, mas sei que isso pode ser feito sem ser uma profissão.
Meu gênio forte não vem do nome, tenho certeza. A calma e a docilidade da minha avó não herdei, as minhas certezas e pontos de vista algumas vezes vêm cercados de alguma falta de paciência. Mas estou aprendendo e também respirando melhor, assim, qualquer excesso vai sendo deixado para trás. Com isso aprendi que nome não é destino na vida. Na minha vida, foi exemplo. E pensando melhor, acho que também poderia me chamar Isaura.
Eu escrevi esse texto numa seleção de estágio, hoje de manhã. Escrever sobre mim foi a única indicação dada. Depois do desespero, saiu isso.
Linda a história do seu nome, e as histórias delas. Parabéns às três!!!
Izabel,
Que texto lindo! Bela homenagem, mais que merecida (ao que parece) a sua avó.
Nome é coisa séria mesmo. Sempre me lembro do Renato Russo cantando “Meu filho vai ter nome de santo. Quero um mundo mais bonito.” Uma coisa eu sei, se tiver filhos, eles terão nome de santo sim! Para que o nome lhes sirva de inspiração.
Somos nós quem fazemos nosso nome, e não o contrário! O nome até pode servir como uma bela forma de homenagem para os queridos que já se foram, mas isso ñ significa que teremos o mesmo destino desses….
Já o meu foi retirado de um livro…. talvez isso explique minha paixão por leitura? Se for pela lógica da moça do sonho, talvez faça sentido….
Deu sorte, prefiro Izabel. Mas por que com “z”?
Se você escreveu pra um estágio, creio eu que vai ser contratada :]