reino da insônia

April 10th, 2008

Vácuo

Posted by Izabel in diário    

Faz uma semana que tudo o que eu escuto, dia e noite, é divagações sobre vídeogame. Mais especificamente, sobre o tal do PlayStation 3. Ok, eu sei que é blu-ray, os controles não têm fio e é tudo super moderno e genial, mas na arte de falar sobre joguinhos eletretrônicos isso é só o começo. Vale tudo: de como os gráficos são lindos e reais, de como vai ficar ótimo no home theater, trailer de jogo (sim, isso existe, minha gente: trailer de jogos, vários trailers do mesmo jogo), especulações sobre que jogos comprar e por aí vai, até crise nervosa de ansiedade pela chegada do correio está nesse pacote.

Eu achava que o pior já tinha passado. O que é a inocência da pessoa, não é? Apesar da maldade generalizada do mundo, teimo em acreditar na bondade da raça humana.

Pois o maldito videogame chegou hoje.  Desde então, deixei de existir, estou sendo completamente ignorada. Faz três dias que eu não vejo o namorado e desde ontem a gente combinava de ser ver. Mas, no meio do caminho, tinha um playstation. Tinha um playstation no meio do caminho.

Às três horas da tarde eu liguei, depois de o telefone tocar muito, eu escuto uma voz super animada do outro lado, dizendo que não pode falar muito porque tá configurando o ps3 que tinha acabado de chegar. Quem sou para competir, né? Desliguei o telefone e fui cuidar da vida.

Agora, às seis e meia, eu ligo de novo. Ninguém atende. Um tempo depois,  ele retorna e pegunta se tá tudo bem. Eu falei que sim e tentei de tudo: de manha a ameaça. Nada funcionou. Resumindo tudo: estou morrendo de ciúme de um joguinho eletrônico. Pode uma coisa dessas?

April 8th, 2008

Meu nome quase foi Isaura

Posted by Izabel in diário    

O meu nome nasceu de um sonho da minha mãe. Ou, melhor ainda: de uma ameaça recebida enquanto dormia por uma mulher recém-saída da adolescência, sozinha em um país estranho e que se descobriu grávida. A intenção era me batizar com o nome da minha bisavó, Isaura. Mas a mulher forte, de família humilde, alertou na forma de miragem que nome é coisa séria e às vezes até pode servir como destino na vida e o destino da minha bisavó, infelizmente, havia sido sofrer.

Recebi então o nome da minha avó, Izabel, que tinha a força da mãe, mas uma vida menos difícil, com as vitórias aplacando dores. Não sei se nome é realmente destino na vida, como acreditava dona Isaura, mas, sabendo a origem do meu, torço para isso estar certo. É verdade que tive ainda mais sorte que a minha avó e assim precisei de menos luta para ter liberdade, chance de estudar e alguma tranqüilidade.

Ainda assim, tento ter tanta força quanto ela. A minha avó fugiu do interior para estudar, aprendeu a ler sozinha com quase doze anos e foi pedir escola para os patrões do irmão mais velho. Ainda que a internet não tenha me permitido o costume de ler enciclopédias, com a minha avó ainda hoje faz à noite, na mesa da cozinha, com ela aprendi a pesquisar sempre mais e tomei gosto pelas letras, primeiro pelos contos de fadas, depois por qualquer história, fantástica ou não.

Quando era pequena, brincava de professora e achava que tinha um destino muito certo. Ensinava minhas bonecas, meus primos, minha irmã, sempre com ar muito sério e posso garantir que todas as minhas bonecas sabiam fazer contas e ler. Algumas coisas mudaram, outras nem tanto. Não fiz pedagogia, nem letras, mas já ensinei e ainda quero compartilhar conhecimentos em sala de aula ou fora dela, mas sei que isso pode ser feito sem ser uma profissão.

Meu gênio forte não vem do nome, tenho certeza. A calma e a docilidade da minha avó não herdei, as minhas certezas e pontos de vista algumas vezes vêm cercados de alguma falta de paciência. Mas estou aprendendo e também respirando melhor, assim, qualquer excesso vai sendo deixado para trás. Com isso aprendi que nome não é destino na vida. Na minha vida, foi exemplo. E pensando melhor, acho que também poderia me chamar Isaura.

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April 6th, 2008

Se todos fossem iguais a você

Posted by Izabel in diário    

Eu queria que todos os domingos fossem iguais a hoje: tranqüilos.

Eu não sei o que me dá no dia que começa e ao mesmo tempo fecha a semana, mas geralmente não são dias bons. É um misto de ressaca da alegria de sábado (porque sábados sempre são bons, mesmo em casa sem fazer nada), agravada pela cidade esvaziada e por aquela perspectiva de começar toda a rotina de novo, com a falta de tempo, as poucas horas de sono e os vazios.

Hoje não. Tudo passou sem dificuldades. Sem ter muito como mudar certas coisas, simplesmente as tirei do meu campo de preocupação e vou me deixando levar. A consciência tranqüila ajudou.

A semana vai ser agitada, estou precisando de mais calma, um punhado de disposição e um outro tanto de sorte, que sorte nunca é demais.  Para vocês, desejo o mesmo e sigo contando os dias. Agora faltam dezessete.

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