reino da insônia

“Sentou-se alarmada e então viu Rebeca na cadeira de balanço, chupando o dedo e com os olhos fosforescentes como os de um gato na escuridão. (…) Era a peste da insônia.”

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Ainda com os registros

April 17th, 2009 · 3 Comments

Ultimamente ando precisando sair um pouco do domínio do bom senso. É que passei tempo demais ponderando. Minha receita tem sido seguir calada enquanto falo, usando da boa educação, abusando das boas maneiras, da  cordialidade. Ando mesmo é me cozinhando a fogo brando. Disfarçando a minha falta de coragem com tintas de tolerância.

Sempre achei que o falar como se convencionou era supervalorizado. Nada mais assustador do que um precisamos conversar. Que, no fundo, importam mesmo as ações, a disposição para resolver e que o dia a dia trata de esclarecer pequenos e grandes incômodos em diálogos triviais. Que todas as conversas têm mesmo é que ser naturais, surgir com a leveza que existe entre o me passa o pão, por favor e que calor que faz em Recife.

Aí hoje eu entendo que o falar não é exatamente usar o aparelho fonador e emitor sons difusos, com ritmo quebrado. Formar palavras e construir discursos é racionalizar e só existe racionalização depois de deixar o sentimento decantar, ou pelo menos quando há disposição de se colocar em perspectiva. Aí num ato de puro egoísmo eu admito que quero é aprender a me escutar. A realmente ouvir o que eu digo.

Porque, ah, preciso admitir que até também sei falar demais.

up date - Só para registrar a ironia: “Neste período que vai de 17/04 (Hoje) até /, você estará fechando o seu ciclo pessoal de Mercúrio, Izabel! Esta é uma fase de repensar, de reavaliar sua vida de forma crítica. E para que tais reflexões sejam feitas com eficiência, caberá a você compreender que esta fase pede recolhimento, silêncio, introspecção. Evite discussões importantes nesta fase, pois a tendência é das pessoas simplesmente não entenderem o que cada uma está colocando, e se negue a fazer acordos ou assinar contratos importantes agora. O momento é de pausa mental, e se você souber compreender a necessidade disso, muita dor de cabeça futura será evitada!”

Tags: diário

3 responses so far ↓

  • 1 Patricia Daltro // Apr 17, 2009 at 11:22 pm

    Eu tenho um micro-conto que diz: sou silêncios. E assim que podemos nos ouvir, quando nos tornamos silêncio e só assim podemos entender um pouco o que realmente somos.

  • 2 Anna Flávia // Apr 18, 2009 at 3:10 pm

    Cara, a pessoa que escreve teu ego astral lê teu blog.

  • 3 karina // Apr 19, 2009 at 7:34 am

    sou mais da ação do que da falação. não sou muito de falar, quando não há nada de interessante a ser dito. não me incomodo com longos siêncios entre as pessoas.

    mas prezo muito a(s) palavra(s), o poder de (des)virtuar caminhos e, principalmente, a sinceridade delas. curiosamente, sou uma pessoa de muitas palavras. escritas. mas isso só depois de longos períodos de silêncio. certamente pq somente assim eu me ouço.

    dualidades do ser humano, não?

    boa sorte na travessia desse deserto.

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