Archive for the 'diário' Category

izabel e o supermercado

izabel fontes July 9th, 2008

A arte de fazer feira é para poucos mortais. Existe um código enorme a ser seguido. Equilibrar as compras no carrinho de modo que tudo chegue na geladeira em bom estado, achar preços bons, dirigir o carrinho, não tropeçar em crianças e enfrentar filas enormes exigem habilidades que precisam ser desenvolvidas por ano.

Apesar de não ter tais habilidades, esse mês, fiz feira duas vezes.

Como meu pai está na Alemanha e a idéia de uma dieta forçada não agradou a minha querida irmã mais nova (se mais velha fosse, ela faria a feira, não eu), não teve jeito: tive que ir fazer a feira aqui para casa. Com muita chantagem emocional, consegui levar junto o namorado. Como o universo é sábio e o karma não deixa barato, ontem chantagem emocional o namorado fez comigo e tive que ir junto com ele fazer a feira para a casa dele.

Acontece que ontem foi terça-feira. Uma das primeiras terças-feiras do mês. Descobri ontem que terça-feira é o dia da feira verde no Hiperbompreço, que é quando chegam verduras e frutas e eles fazem mil promoções. Juntando tudo isso, o resultado foi desastroso: um supermercado lotado e pessoas com microfones anunciando promoções por todo canto.

(Pode ser teoria da conspiração, mas eu tive a nítida impressão que um ser de peruca rosa, pernas de pau e alto-falante estava me seguindo pelos corredores. Por todos os corredores. Dos queijos importados até o corredor de pneus.)

Bem, apesar das situações adversas, eu sou uma pessoa que entra no clima. Tudo correu bem: comparei preços, separei os produtos de limpeza das comidas, tentei colocar as coisas pesadas por cima e até reservei aquela cestinha pra colocar carne. Mas aí a gente chegou na parte de verduras. Feira verde diz alguma coisa para vocês?

Pois é. O produto da vez era tomate. Eu não faço idéia de quanto custa o quilo do tomate normalmente, mas hoje custava um real e cinqüenta e as pessoas pareciam adorar o preço. Na parte do tomate tinha umas 10 pessoas se espremendo, ombro com ombro, tentando alcançar aquele troço vermelho que nem sei se é fruto ou verdura. E todo mundo levava a sério isso de escolher. Conseqüentemente, os tomates desprezados eram amassados e arremessados pelo chão. Ah, e não paravam de chegar caixotes. E as pessoas não largavam suas posições, então era funcionário do bompreço jogando tomates para cima, as pessoas se acotovelando, aquela coisa.

Aí lá vai Izabel tentar pegar seis tomates (eu precisei ressaltar a quantidade porque as pessoas estavam enchendo carrinhos de tomate e isso não é exagero, certo?). Levei uns 10 minutos para conseguir enxergar alguma coisa. Depois de mais 10 minutos enxergando, percebi que eu não fazia idéia de como escolher aquele troço. Coloquei a mão, fiquei com nojo. Uma senhora muito simpática resolve me ajudar, manda eu deixar de frescura e fala que tem que enfiar a mão por baixo. Prontamente, enfia duzentos e trinta tomates horrorosos no meu saquinho e fala que eu posso ir.

Quase que eu não conseguia agradecer a gentileza, mas tive sucesso nisso e saí correndo dali. Quando eu mostro pro namorado:

- Mas que tomates feios, né?

Nessa hora eu tive vontade de tacar tomate na cara dele, mas quase que imediatamente percebi que ele estava era me desafiando e resolvi pegar a briga para mim. Fui imediatamente para o ringue dos tomates decidida a dar cotoveladas nas costelas de quem aparecesse. Por sorte, eu vi o senhor simpático de branco que descarregava os caixotes e pedi timidamente para escolher antes que ele jogasse o tomate no meio de todas aquelas pessoas. Ele deixou, a salada no almoço ficou ótima, etc, mas até agora eu estou cá pensando: que diabos as pessoas fazem com tanto tomate? Estraga, minha gente, estraga. Custando 1,50 ou 500 reais.

izabel fontes July 5th, 2008

Para mim, o inverno começou oficialmente ontem, junto com a minha primeira grande gripe do ano. Mas não foi tão ruim. Apesar de passar a noite espirrando e tossindo, embaixo do edredon, eu estava vendo seriado, fazendo manha e tentando achar um resto de gosto na pizza.

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izabel fontes June 20th, 2008

Para todo plano, sempre há uma rota de fuga. E às vezes a melhor rota de fuga é não ter plano nenhum.

izabel fontes June 11th, 2008

Dentro das decisões de tocar minha vida, eu me matriculei na auto-escola. Essa resolução, de aprender a dirigir, é antiga e necessária. Tudo certo, ótima iniciativa, meus pais e a minha irmã agradecem.

Acontece que na semana que eu me matriculo na auto-escola, o DETRAN entra de greve. Olha só que maravilha. Só vou poder fazer o exame teórico, pra começar a ter aulas práticas, quando essa greve bizarra acabar. E é brasil, né, então, alô: prazo indefinido.

Vida no Centro

izabel fontes June 6th, 2008

Eu tenho que confessar que sou um tanto quanto fresca com comida. Assim, não tenho aquelas frescuras de não como isso, não como aquilo. Eu como de quase tudo. Mas eu fico com nojo muito fácil.

O meu prato tem que ser organizado milimetricamente. Salada, carne, arroz+feijão, ou devidas variações, claro. Odeio comida misturada e a perspectiva do molho do feijão escorrendo na salada me dá uma agonia tremenda. Uma outra coisa que me tira o apetite é gente que corta o macarrão. Macarrão com arroz? Nunca na vida.

Acontece que hoje eu fui almoçar num restaurante por peso bem no centro da cidade. Aí é aquela coisa: gente demais. Como tinha gente demais, a gente divide a mesa na maior boa vontade. Daí estou eu lá, almoçando minha salada + carne e senta um senhor do meu lado. Até aí, ok.

Só que eu não consegui não olhar pro prato do moço. E aí pensem no susto: tinha feijoada misturada com caldeirada e batata frita. E farinha. Muita farinha. Minha gente, o que faz alguém misturar feijoada com caldeirada? Aí eu comecei a prestar atenção. A outra pessoa que sentou na mesa tava comendo lasanha, com coração de galinha, risoto de camarão e batata frita. Tudojunto. Essas coisas deviam ser proibidas e as pessoas deviam ter mais um pouco de bom senso gastronômico.

Mas, pensando bem, isso tem uma explicação psicológica: a galera vê lá aquele monte de comida gostosa reunida e não consegue se decidir o que comer e resolve comer tudo misturado mesmo. É incapacidade de tomar decisões, minha gente. Eu acho que vou fazer uma nova abordagem de RH: em vez de dinâmica de grupo, uma ida a um restaurante no peso. Afinal, habilidade de tomar decisões é muito importante. Além disso, ninguém quer alguém que come caldeirada com feijoada trabalhando com você, certo?

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