izabel fontes June 11th, 2008

Dentro das decisões de tocar minha vida, eu me matriculei na auto-escola. Essa resolução, de aprender a dirigir, é antiga e necessária. Tudo certo, ótima iniciativa, meus pais e a minha irmã agradecem.

Acontece que na semana que eu me matriculo na auto-escola, o DETRAN entra de greve. Olha só que maravilha. Só vou poder fazer o exame teórico, pra começar a ter aulas práticas, quando essa greve bizarra acabar. E é brasil, né, então, alô: prazo indefinido.

Vida no Centro

izabel fontes June 6th, 2008

Eu tenho que confessar que sou um tanto quanto fresca com comida. Assim, não tenho aquelas frescuras de não como isso, não como aquilo. Eu como de quase tudo. Mas eu fico com nojo muito fácil.

O meu prato tem que ser organizado milimetricamente. Salada, carne, arroz+feijão, ou devidas variações, claro. Odeio comida misturada e a perspectiva do molho do feijão escorrendo na salada me dá uma agonia tremenda. Uma outra coisa que me tira o apetite é gente que corta o macarrão. Macarrão com arroz? Nunca na vida.

Acontece que hoje eu fui almoçar num restaurante por peso bem no centro da cidade. Aí é aquela coisa: gente demais. Como tinha gente demais, a gente divide a mesa na maior boa vontade. Daí estou eu lá, almoçando minha salada + carne e senta um senhor do meu lado. Até aí, ok.

Só que eu não consegui não olhar pro prato do moço. E aí pensem no susto: tinha feijoada misturada com caldeirada e batata frita. E farinha. Muita farinha. Minha gente, o que faz alguém misturar feijoada com caldeirada? Aí eu comecei a prestar atenção. A outra pessoa que sentou na mesa tava comendo lasanha, com coração de galinha, risoto de camarão e batata frita. Tudojunto. Essas coisas deviam ser proibidas e as pessoas deviam ter mais um pouco de bom senso gastronômico.

Mas, pensando bem, isso tem uma explicação psicológica: a galera vê lá aquele monte de comida gostosa reunida e não consegue se decidir o que comer e resolve comer tudo misturado mesmo. É incapacidade de tomar decisões, minha gente. Eu acho que vou fazer uma nova abordagem de RH: em vez de dinâmica de grupo, uma ida a um restaurante no peso. Afinal, habilidade de tomar decisões é muito importante. Além disso, ninguém quer alguém que come caldeirada com feijoada trabalhando com você, certo?

izabel fontes May 26th, 2008

Tudo o que eu consigo me perguntar agora é como o meu ex-namorado que não lia nem out door virou fã de Caio Fernando Abreu. Ok, eu nem acho Caio Fernando Abreu genial como a maior parte das pessoas acha, mas convenhamos que é um avanço e tanto. Eu acharia o avanço ainda maior se a minha constatação do crescimento em leitura do garoto não viesse daquela parte “o que aprendi com meus relacionamentos passados” do orkut. Uma bela e enfeitada alfinetada, mas uma alfinetada literária ainda é um avanço.

Família, ê ê

izabel fontes May 20th, 2008

Aí que a minha irmã agora é gente de teatro e tá ensaiando uma peça sobre uma menina que conversa com árvores, um bosque, desmatamento e essas coisas que fazem o maior sucesso com crianças politicamente corretas. Eu tenho certeza que a peça vai ficar ótima e tudo o mais, mas acontece que eu estou sofrendo. Sabe como é, né? Ela tá vivendo aí mil e um processos pra entrar na personagem, tudo muito profissional e com umas oficinas super legais.

Tava tudo bem até o momento que ela teve uma vivência de percussão. E resolveu continuar vivendo o batuque em casa. Ou melhor, no nosso apartamento super grande, espaçoso e com a acústica perfeita. A minha mãe, quando quer nos irritar, canta. Eu não consigo nem acertar a letra da música, quem dirá o ritmo. Deve ser de família, mas Luíza não leva jeito para coisa.

Bem, ela jura que aprendeu uma base de samba no pandeiro e está treinando bastante. Ela deve ter é aprendido várias bases de várias coisas, porque são várias variações, minha gente. São tantas bases que ela nunca repetiu, cada vez, uma surpresa. Surpresa às duas da manhã na porta do meu quarto, surpresa ao meio-dia. A grande novidade foi que a minha mãe resolveu dar apoio e tava aqui agorinha, sambando no corredor na frente do meu quarto.

Das tempestades e dias de sol

izabel fontes May 14th, 2008

Entre a segunda e a terça-feira, acordei às quatro ou cinco da manhã com uma chuva que entrava pelos cinco centímetros que deixavam a janela semi-aberta. Além de ter sido acordada pela chuva, eu estava era tremendo de frio. Um tempo depois, acordei de novo. Dessa vez, era um barulho insuportável de trovão, achei que o mundo tivesse pra acabar, coisa que se confirmou quando faltou luz logo em seguida.

Voltar a dormir foi complicado e quando levantei para ir trabalhar, umas duas horas depois, a chuva tinha parado. Saí de casa com o céu ainda cinza, mas, no caminho, o sol foi saindo meio tímido. Ontem de tarde, conversando com um amigo vizinho, ele me perguntou se eu também tinha acordado com os fogos de artifício. Na hora, fiquei completamente sem reação porque eu podia jurar que era mesmo o mundo acabando, coisa nem de longe parecida com o barulho de uma comemoração fora de hora.

Enquanto conversava sobre a madrugada, fazia um sol escaldante. O que eu fiquei pensando é que, na verdade, é preciso um pouco mais para o mundo desabar e muito pouco para eu achar que ele está desabando. E, mesmo que eu possa jurar que tudo tá desmoronando mesmo, sempre faz sol depois. Metáfora mais brega não há. Mas o que se faz quando tudo o que se quer dizer é um grande e verdadeiro clichê?

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