izabel fontes May 26th, 2008

Tudo o que eu consigo me perguntar agora é como o meu ex-namorado que não lia nem out door virou fã de Caio Fernando Abreu. Ok, eu nem acho Caio Fernando Abreu genial como a maior parte das pessoas acha, mas convenhamos que é um avanço e tanto. Eu acharia o avanço ainda maior se a minha constatação do crescimento em leitura do garoto não viesse daquela parte “o que aprendi com meus relacionamentos passados” do orkut. Uma bela e enfeitada alfinetada, mas uma alfinetada literária ainda é um avanço.

Família, ê ê

izabel fontes May 20th, 2008

Aí que a minha irmã agora é gente de teatro e tá ensaiando uma peça sobre uma menina que conversa com árvores, um bosque, desmatamento e essas coisas que fazem o maior sucesso com crianças politicamente corretas. Eu tenho certeza que a peça vai ficar ótima e tudo o mais, mas acontece que eu estou sofrendo. Sabe como é, né? Ela tá vivendo aí mil e um processos pra entrar na personagem, tudo muito profissional e com umas oficinas super legais.

Tava tudo bem até o momento que ela teve uma vivência de percussão. E resolveu continuar vivendo o batuque em casa. Ou melhor, no nosso apartamento super grande, espaçoso e com a acústica perfeita. A minha mãe, quando quer nos irritar, canta. Eu não consigo nem acertar a letra da música, quem dirá o ritmo. Deve ser de família, mas Luíza não leva jeito para coisa.

Bem, ela jura que aprendeu uma base de samba no pandeiro e está treinando bastante. Ela deve ter é aprendido várias bases de várias coisas, porque são várias variações, minha gente. São tantas bases que ela nunca repetiu, cada vez, uma surpresa. Surpresa às duas da manhã na porta do meu quarto, surpresa ao meio-dia. A grande novidade foi que a minha mãe resolveu dar apoio e tava aqui agorinha, sambando no corredor na frente do meu quarto.

Das tempestades e dias de sol

izabel fontes May 14th, 2008

Entre a segunda e a terça-feira, acordei às quatro ou cinco da manhã com uma chuva que entrava pelos cinco centímetros que deixavam a janela semi-aberta. Além de ter sido acordada pela chuva, eu estava era tremendo de frio. Um tempo depois, acordei de novo. Dessa vez, era um barulho insuportável de trovão, achei que o mundo tivesse pra acabar, coisa que se confirmou quando faltou luz logo em seguida.

Voltar a dormir foi complicado e quando levantei para ir trabalhar, umas duas horas depois, a chuva tinha parado. Saí de casa com o céu ainda cinza, mas, no caminho, o sol foi saindo meio tímido. Ontem de tarde, conversando com um amigo vizinho, ele me perguntou se eu também tinha acordado com os fogos de artifício. Na hora, fiquei completamente sem reação porque eu podia jurar que era mesmo o mundo acabando, coisa nem de longe parecida com o barulho de uma comemoração fora de hora.

Enquanto conversava sobre a madrugada, fazia um sol escaldante. O que eu fiquei pensando é que, na verdade, é preciso um pouco mais para o mundo desabar e muito pouco para eu achar que ele está desabando. E, mesmo que eu possa jurar que tudo tá desmoronando mesmo, sempre faz sol depois. Metáfora mais brega não há. Mas o que se faz quando tudo o que se quer dizer é um grande e verdadeiro clichê?

Esclarecimento

izabel fontes May 13th, 2008

Refletindo sobre as buscas que acabam dando nesse blog, percebi que “reino ser humano” ganha disparado em número de entradas daquelas que não têm nada a ver. Para não decepcionar meus possíveis leitores, vou explicar: até onde lembro, na biologia existem cinco reinos (o dos animais, das plantas, do protistas, dos fungos e das moneras). Os seres humanos, meus queridos, estão no reino dos animais, certo? Com todas as implicações, animais.

Bueiro profundo

izabel fontes May 5th, 2008

Aí que hoje, depois de três semanas sem aparecer na academia, eu decido voltar. Lá vai Izabel toda disposta fazer esteira. Até aí tudo bem. Mas eu tive a brilhante idéia de ligar a televisão e, zapeando pelos canais, eu decido parar no People and Arts. Alguém já viu Perder para Ganhar? É um dos milhares de reality shows que passam na People and Arts, desde que o canal decidiu que só ia exibir isso mesmo. Vocês têm que entender que na onda dos reality shows vale tudo, de tatuagens a montagem de motos. Mas esse é realmente um caso a se pensar.

Explico: no programa, duas famílias de obesos se enfrentam e sofrem das torturas mais cruéis tentando emagrecer. Quando eu falo tortura, I mean it. Numa das provas de hoje, os participantes tinham que passar por um corredor gigantesco de guloseimas e resistir. Na manhã seguinte, depois de sonhar com as tortas de chocolate e as pizzas rejeitadas, tinham que malhar até desmaiar. E competiam entre si. O ponto alto do programa era a pesagem, quando eles viam quantas gramas tinham perdido na semana.

Agora vejam vocês: eu lá toda disposta na academia, me achando o máximo por fazer trinta minutos de esteira e fico assistindo aqueles gordinhos desesperados se matarem em caminhadas, malhações e pratos de salada. É o fundo do bueiro, minha gente. Me senti a última das criaturas dos regimes frustrados. Mas ando resistindo. Cheguei em casa e comi somente uma mísera xícara de salada de frutas. Quem sabe, nessa décima quinta tentativa de regime do ano, eu consiga, né.

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