reino da insônia

“Sentou-se alarmada e então viu Rebeca na cadeira de balanço, chupando o dedo e com os olhos fosforescentes como os de um gato na escuridão. (…) Era a peste da insônia.”

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mais um registro

June 11th, 2009 · 1 Comment

vão é tudo
que não for prazer
repartido prazer
entre parceiros

vãs
todas as coisas que vão

Paulo Leminski

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June 9th, 2009 · No Comments

Ando evitando dormir. Para não ter que acordar e perceber que você não está mais aqui. E que não adianta te procurar nas dobras dos nossos lençóis, no meu olhar confuso, nas linhas tortas das palmas da minha mão. Ando evitando dormir. Para não ter que tirar as folhas do calendário. Para não ter que ver que o tempo é inescapável. Que os dias passam e você continua a não estar aqui. A cada dia, você se afasta mais. E eu vou deixando as fotos onde elas sempre estiveram. Vou deixando as mensagens antigas no celular. No tempo que passa, no tempo que fica, eu também vou saindo do meu lugar costumeiro, saindo das coisas que não vão acontecer. Dos planos, dos emails que eu nunca vou receber, das viagens que a gente não vai fazer. Ando evitando dormir. Você não está mais aqui. E eu não sei ainda o que isso significa.

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procrastinação

April 29th, 2009 · 1 Comment

Hoje (ou melhor: ontem) eu acordei e o relógio marcava quase três horas da tarde.

Como consequência disso, o dia acabou e eu não fiz nada do que tinha que fazer. E que fique claro que eu tenho muita coisa atrasada pra ler e umas outras tantas pra escrever. Mas não teve jeito: entre almoçar, dar uma organizada nos papéis em cima da mesa e tomar banho já eram cinco e meia da tarde.

Saí de casa correndo pro festival de cinema, com a desculpa de que já que eu tinha perdido o dia mesmo, não ia mais dar tempo de fazer nada. Deixar tudo para amanhã, durante o dia, pareceu ótimo em troca de uns curtas de qualidade duvidosa no cinema.

Saio do cinema quase dez da noite. Lembro que tenho que fazer feira, afinal, a moça vem amanhã (ou melhor: hoje) para cozinhar e congelar e sem nada geladeira e no armário não ia dar muito certo. Escolher comida, conferir a lista, lembrar do que tá faltando e não tá na lista, fila de caixa, pagar, colocar tudo no carro, tirar tudo do carro.

Consigo chegar em casa com as compras quase meia-noite. Não tem jantar. Entre fazer jantar, tomar banho e ler email, são duas da manhã. Tô com sono demais para estudar, vou dormir. Deito na cama. De repente, perco absolutamente o sono.

Três da manhã eu levanto e a culpa de ter perdido o dia me faz sentar no computador de novo e começar a escrever. Começo um ensaio que tava atrasado, termino três textinhos besteira. Coisas que deveriam ter ficado pra amanhã (ou melhor: hoje), quando eu acordasse de maneira bem saudável às oito da manhã, nove, quem sabe. Ou coisas que deveriam, em primeira instância, terem ficado para hoje mesmo (melhor: ontem), se eu não tivesse decidido ir pro cinema.

Como eu explico isso? É que meus mecanismos de autosabotagem tão ficando cada vez mais espertos. Sentimento de culpa que vai dar em alguma disposição pra produzir, em mim, só existe às três da manhã.  Nada de aparecer antes de, sei lá, ir pro cinema. Ele só resolve chegar quando não dá mais tempo de ser bem aproveitado. Quando vai inutilizar mais um dia. Porque, tenham certeza, ter dificuldade para deixar claro o que é ontem, hoje e amanhã é um péssimo sinal.

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April 20th, 2009 · No Comments

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Comecei a ver tudo de novo ontem. E juro que já tô sofrendo por antecipação.

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Ainda com os registros

April 17th, 2009 · 3 Comments

Ultimamente ando precisando sair um pouco do domínio do bom senso. É que passei tempo demais ponderando. Minha receita tem sido seguir calada enquanto falo, usando da boa educação, abusando das boas maneiras, da  cordialidade. Ando mesmo é me cozinhando a fogo brando. Disfarçando a minha falta de coragem com tintas de tolerância.

Sempre achei que o falar como se convencionou era supervalorizado. Nada mais assustador do que um precisamos conversar. Que, no fundo, importam mesmo as ações, a disposição para resolver e que o dia a dia trata de esclarecer pequenos e grandes incômodos em diálogos triviais. Que todas as conversas têm mesmo é que ser naturais, surgir com a leveza que existe entre o me passa o pão, por favor e que calor que faz em Recife.

Aí hoje eu entendo que o falar não é exatamente usar o aparelho fonador e emitor sons difusos, com ritmo quebrado. Formar palavras e construir discursos é racionalizar e só existe racionalização depois de deixar o sentimento decantar, ou pelo menos quando há disposição de se colocar em perspectiva. Aí num ato de puro egoísmo eu admito que quero é aprender a me escutar. A realmente ouvir o que eu digo.

Porque, ah, preciso admitir que até também sei falar demais.

up date - Só para registrar a ironia: “Neste período que vai de 17/04 (Hoje) até /, você estará fechando o seu ciclo pessoal de Mercúrio, Izabel! Esta é uma fase de repensar, de reavaliar sua vida de forma crítica. E para que tais reflexões sejam feitas com eficiência, caberá a você compreender que esta fase pede recolhimento, silêncio, introspecção. Evite discussões importantes nesta fase, pois a tendência é das pessoas simplesmente não entenderem o que cada uma está colocando, e se negue a fazer acordos ou assinar contratos importantes agora. O momento é de pausa mental, e se você souber compreender a necessidade disso, muita dor de cabeça futura será evitada!”

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