Muro de lamentações

izabel fontes May 4th, 2008

 Por que diabos é tão difícil pra mim manter um grau aceitável de continuidade na vida? Não adianta, mais cedo ou mais tarde, eu sempre tenho que dar uma pausa. Nem que corra nos outros dias para compensar o tempo perdido. Amanhã eu tenho uma prova cujo assunto é enorme e eu mal estudei, terça eu tenho dois trabalhos para entregar, quarta tenho o roteiro do projeto final de uma disciplina e na quinta eu nem sei, que nessa cadeira eu estou tão atrasada que nem ouso pensar no que tem que ser feito.

É nessa hora que eu penso: o feriado fez a minha semana acabar na quarta, não deu tempo? Teria dado. Se tu não tivesse passado os últimos quatro dias escondida embaixo do meu cobertor, com ar-condiocinado no máximo (desculpa, pai, prometo ajudar a pagar a conta de energia), só saindo para jogar videogame e dar uma surtada básica.  A verdade é que eu estava com a maior tpm que Recife viu nos últimos anos e tudo que eu conseguia fazer era comer sem parar, ouvir músicas tristes, chorar, me irritar com qualquer pessoa que passasse na minha frente e ver seriados.

Para completar o quadro de coisas que não deveriam existir na minha vida agora, tenho mil exames para fazer e não dá mais para adiar. Onde vou arranjar tempo para tirar sangue, fazer xixi num potinho e deixar passarem uma meleca gelada no peito?

Ah! E no final da semana passada, comecei um estágio novo. Meu chefe, ao que parece, resolveu trabalhar no final de semana e agora a minha caixa de e-mail está atolada de pequenas notas: ligar para assessoria de sei lá onde, confirmar entrega de sei lá o quê, fazer releases de sei lá que evento e mandar pras mídias, traduzir os resumos das conferências, preparar agenda da semana, ad infinitum. Nem sei direito por onde começar.

E sabe do que mais? Já me contaram: depois piora.

Pointless

izabel fontes May 1st, 2008

Às vezes eu tenho a sensação muito nítida de que vou enlouquecer.

-

Do último post para cá, já choveu bastante. Mas ontem foi o dia mais quente do ano em Recife, eu tenho certeza. Era um sol insuportável, de doer os olhos e deixar qualquer pessoa de mau humor. Os quinze minutos que andei do estágio até a parada de ônibus foram simplesmente torturantes. Às três e meia da tarde, quando voltava da aula, absolutamente nada tinha mudado e o calor/sol permaneciam.

-

Eu acho engraçado como algumas coisas não mudam. Observar de longe deixa tudo ainda mais risível. E eu até agradeceria, por estar distante, se, no fundo, não achasse tudo isso patético a ponto de me irritar. Machucar um pouco também.

-

Eu estou numa preguiça social inédita até mesmo para mim. Estou capaz de mudar o caminho só para não ter que trocar frases amistosas com semi-conhecidos e eu estou falando dos semi-conhecidos agradáveis, aqueles que a gente encontra ocasionalmente e até se anima com o encontro. E aí que ir pro Cine-PE virou uma tortura, é gente conhecida demais, é gente demais em todos os sentidos. Mas o filme de ontem foi bom, muito bom e melhorou consideravelmente o meu humor. Assistam Amigos de Risco vocês também.

-

Não sei se são os hormônios, mas estou cada diz mais pointless.

izabel fontes April 19th, 2008

É abril e faz sol em Recife. E faz também muito calor. A cada dia que amanhece seco, com o céu de um azul perfeito, fico com a sensação de que tudo está somente suspenso e passo as horas esperando pela chuva. Mas parece que a segunda estação do ano resolveu mesmo se atrasar. Do lado de cá, tenho a vida também suspensa.

cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é

izabel fontes April 15th, 2008

É preciso aprender a lidar com os pequenos e grandes traumas, com as raivas do dia-a-dia, as frustações corriqueiras, os dissabores inevitáveis e as desilusões que vão e vem. É, algumas pessoas fazem terapia. Eu faço boxe.

Das memórias (re)inventadas

izabel fontes April 11th, 2008

Eu nunca tive somente um diário. Eu sempre tinha dois ou três ao mesmo tempo, todos devidamente trancados com cadeados.

Um deles, era da minha vida e lá estava tudo o que eu fazia, comia, pensava. Outro, que nem sempre existia, eu dividia com as amigas e era lá que estavam declarações de amor ao escolhido da sala (porque até as paixões eram compartilhadas antes de experimentar o ineditismo dos doze anos, explicarei) e fofocas do dia-a-dia. O terceiro era tão constante quanto o primeiro e era lá que eu escrevia de vidas que não eram minhas, mas que poderiam ser. A verdade é que sempre perdi tempo demais imaginando. E a minha imaginação sempre andou de mãos dadas com palavras. Por isso, sempre fui dada à solidão e escrevia ou lia enquanto as pessoas ao redor brincavam.

Mas o hábito de escrever diários foi abandonado rápido, tão rápido quanto as mudanças de quem chega aos doze anos. Quando se tem doze anos, nenhuma palavra serve, em absolutamente nenhuma língua que já existe. (Os dialetos inventadas também não ajudam e talvez seja nessa fase que se abandone os códigos que guardaram todos os muitos segredos da infância.)

É que se sente tudo demais quando se tem doze anos. E é tudo inédito, não dá para colocar em palavras. Então, a gente grita, chora, arranca os cabelosm, se desespera com a incompreensão. Mas, sobretudo, espera. E o tempo passa, e a gente aprende que as coisas não são tão inéditas assim e a descoberta de uma espécie de jurisprudência de sentimentos leva embora a sensação de solidão que impera no início da adolescência. Tudo se torna mais suportável.

« Prev - Next »